Quase quatro anos após a morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, três ex-policiais militares denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) serão julgados pelo Tribunal do Júri a partir da próxima segunda-feira, em São Gabriel. A expectativa é de que a sessão se estenda por três ou quatro dias.
Os réus respondem por homicídio qualificado, por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação será conduzida pelos promotores de Justiça Maria Fernanda Rabelo, Karine Teixeira e Eugênio Paes Amorim.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Gabriel foi abordado pelos policiais na noite de 12 de agosto de 2022, durante o atendimento de uma ocorrência de perturbação da ordem pública. Conforme a investigação, o jovem teria sido agredido fisicamente, inclusive com golpes na região cervical, antes de ser colocado em uma viatura.
Segundo o MPRS, Gabriel não foi mais visto com vida após ser levado pelos policiais. O corpo foi localizado sete dias depois, em 19 de agosto, dentro de um açude na localidade de Lava Pé, em São Gabriel.
Em outubro de 2025, o comandante-geral da Brigada Militar reconheceu os três denunciados como incapazes de permanecer na corporação e encaminhou a decisão ao governador do Estado para adoção das medidas administrativas cabíveis.
Durante o julgamento, serão ouvidas 20 testemunhas, sendo cinco indicadas pela acusação e cinco por cada um dos três réus. Após os depoimentos, os acusados serão interrogados e, na sequência, ocorrerão os debates entre acusação e defesa antes da decisão do Conselho de Sentença.
O Ministério Público sustenta que as provas produzidas ao longo da investigação e da instrução processual demonstram a materialidade e a autoria do crime e afirma que buscará a condenação dos acusados.
Para a promotora de Justiça Maria Fernanda Rabelo, o julgamento possui relevância que ultrapassa os interesses das partes envolvidas, representando uma resposta esperada pela sociedade. A promotora Karine Teixeira destacou que o caso é aguardado pela família da vítima e pela população gaúcha, enquanto o promotor Eugênio Paes Amorim afirmou que o Ministério Público atuará na defesa da vida e da responsabilização dos acusados.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
