As chuvas excessivas, os ventos fortes e o granizo registrados na segunda quinzena de julho provocaram perdas expressivas na agropecuária do Rio Grande do Sul. Segundo balanço da Emater/RS-Ascar, os eventos climáticos atingiram 30.007 propriedades rurais em 101 municípios e resultaram em 143.363,21 toneladas de perdas nos principais grupos produtivos.
Entre as culturas mais afetadas estão o tabaco, com 40.060,28 toneladas perdidas; os grãos, com 34.791,86 toneladas; e a olericultura, com 61.544,15 toneladas. Também foram registradas perdas de 6.966,92 toneladas na fruticultura.
Entre os grãos, o trigo teve perdas estimadas em 19,6 mil toneladas, enquanto a canola registrou redução de aproximadamente 7,8 mil toneladas. No tabaco, as perdas chegaram a 40 mil toneladas.
Os danos também atingiram a infraestrutura rural. Cerca de 18 mil quilômetros de estradas vicinais foram afetados, prejudicando o transporte da produção e o acesso das famílias a serviços essenciais. Além disso, 173 fontes de água foram contaminadas, deixando mais de 1,2 mil famílias desabastecidas. A capacidade de armazenamento também foi comprometida, com danos registrados em 207 armazéns e silos.
Na fruticultura, os citros foram os mais prejudicados, com perdas de 6.890 toneladas, concentradas principalmente nas culturas de laranja, com 5.725,75 toneladas, e bergamota, com 1.162,33 toneladas. Ao todo, 493 produtores foram afetados.
Na olericultura, os maiores prejuízos ocorreram entre tubérculos e raízes. A pecuária sofreu impactos menores em comparação com outras cadeias produtivas, mas foram registradas mortes de 43 bovinos de corte, 25 bovinos de leite e 51 suínos. Na piscicultura, 17,40 toneladas de peixes foram perdidas, afetando 39 produtores.
Produção de leite também foi afetada
A atividade leiteira sofreu impactos principalmente devido às dificuldades de acesso às propriedades. As estradas rurais danificadas prejudicaram o deslocamento dos veículos responsáveis pela coleta, enquanto a falta de energia elétrica comprometeu a refrigeração do leite.
Conforme a Emater/RS-Ascar, foram deixados de coletar 192.806 litros de leite por dia, resultando em um acumulado de 2.382.710 litros não comercializados. O volume corresponde a aproximadamente 12 dias de coleta comprometida e afetou 1.788 produtores.
As pastagens nativas e cultivadas também foram prejudicadas pelo excesso de umidade. Mais de 100 mil hectares foram atingidos, com perdas médias de produtividade estimadas em 26%. Segundo a Emater/RS-Ascar, o cenário pode comprometer a alimentação dos rebanhos nos próximos meses e aumentar os custos de produção devido à necessidade de suplementação alimentar.
A assistência técnica também aponta perdas em cultivos de cereais de inverno destinados à produção de silagem e pré-secado.
Após a fase emergencial, a Emater/RS-Ascar considera necessária a avaliação detalhada dos danos e o planejamento das ações de recuperação. A prioridade deve ser a recomposição das condições de vida das famílias afetadas e, posteriormente, a recuperação da capacidade produtiva das propriedades rurais.
Perdas em números
Grãos: 34.791,86 toneladas
Olericultura: 61.544,15 toneladas
Fruticultura: 6.966,92 toneladas
Tabaco: 40.060,28 toneladas
Total: 143.363,21 toneladas
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
