A elevação dos custos do transporte rodoviário deve aumentar a pressão sobre a cadeia produtiva do arroz, que já enfrenta um cenário de margens reduzidas e pouca capacidade para absorver novas despesas. A avaliação é de especialistas do setor, que apontam impactos principalmente sobre produtores, indústria e competitividade do produto brasileiro.
Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia do arroz, a nova Lei do Frete reforça a fiscalização do piso mínimo do transporte rodoviário e amplia as exigências para sua aplicação, com o objetivo de garantir maior segurança jurídica e remuneração adequada aos transportadores.
O impacto da medida pode ser significativo para o setor, já que o arroz é uma commodity de baixo valor agregado e altamente dependente do transporte rodoviário. Cerca de 70% da produção nacional está concentrada no Rio Grande do Sul, onde grandes volumes precisam percorrer longas distâncias até os centros consumidores e portos de exportação.
Com o aumento dos custos logísticos, os reflexos chegam diretamente à operação. Os produtores enfrentam preços abaixo dos custos de produção, enquanto a indústria trabalha com capacidade ociosa, margens reduzidas e forte pressão do varejo pela manutenção dos preços ao consumidor.
Nesse cenário, há pouco espaço para repassar novos custos ao mercado. A tendência é que parte do aumento do frete seja absorvida pela indústria de beneficiamento, reduzindo a rentabilidade e limitando investimentos em melhorias e expansão.
Além do mercado interno, o custo do transporte também interfere na competitividade internacional do arroz brasileiro. Em contratos de exportação, pequenas diferenças no valor por tonelada podem ser decisivas para a conquista ou perda de mercados.
A discussão também evidencia um problema estrutural da cadeia produtiva, que permanece excessivamente dependente do transporte rodoviário. A falta de avanços em ferrovias, hidrovias e infraestrutura logística mantém o setor vulnerável às oscilações dos custos de transporte.
A nova legislação não é apontada como responsável pela crise enfrentada pelo setor arrozeiro, mas acrescenta pressão a um ambiente já desafiador. Diante desse cenário, a eficiência logística passa a ser um fator essencial para garantir a sustentabilidade e a competitividade da cadeia do arroz brasileiro.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
