As frequentes chuvas e a elevada umidade do solo reduziram o ritmo do plantio de trigo no Rio Grande do Sul durante a última semana, conforme aponta o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar. A estimativa é de que a cultura ocupe 814.220 hectares na safra 2026. Atualmente, 98% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e 2% já entraram na fase de floração.
Segundo a Emater/RS-Ascar, a primeira metade da semana foi marcada por condições típicas de El Niño, com alta umidade, nebulosidade persistente, baixa luminosidade e temperaturas elevadas. Embora as chuvas tenham diminuído na segunda metade do período, o solo permaneceu encharcado em diversas regiões, especialmente no Noroeste do Estado, onde também foram registrados processos erosivos causados pelo excesso de precipitação.
Na regional de Ijuí, responsável por cerca de 28% da área cultivada com trigo no Estado, a baixa incidência de luz entre os dias 20 e 26 de julho limitou o crescimento das plantas. Apesar disso, as lavouras apresentam bom desenvolvimento vegetativo, sem sinais de estresse nutricional. Cerca de 10% das áreas já estão nos estádios de emborrachamento e emissão das espigas, embora ainda não tenham iniciado a floração.
A elevada umidade também impediu a entrada de máquinas nas propriedades da região, dificultando a realização da adubação de cobertura e do controle de plantas daninhas. Em alguns pontos, o excesso de chuva provocou erosão, arraste de palhada e acamamento das plantas, mas os danos são considerados localizados e ainda não comprometem significativamente o potencial produtivo.
Na região de Santa Rosa, que concentra 22% da área estadual de trigo, produtores relatam preocupação com perdas de solo e nutrientes em razão das enxurradas e do encharcamento temporário das lavouras. A Emater alerta que a lixiviação do nitrogênio poderá reduzir a disponibilidade de nutrientes nas próximas fases da cultura, embora ainda seja cedo para estimar possíveis perdas de produtividade.
Em Frederico Westphalen, onde estão 13% das áreas cultivadas, cerca de 95% das lavouras permanecem em desenvolvimento vegetativo e 5% já iniciaram a floração. As chuvas intensas e a baixa radiação solar limitaram o desenvolvimento das plantas, enquanto os produtores concentram os trabalhos no controle de plantas daninhas, aplicação de fungicidas e adubação nitrogenada.
Na região de Passo Fundo, todas as lavouras seguem em desenvolvimento vegetativo. Já na regional de Bagé, especialmente na Fronteira Oeste, o potencial produtivo permanece positivo, favorecido pelo menor volume de chuvas, embora a baixa luminosidade continue sendo um fator limitante.
Em Caxias do Sul, a semeadura foi atrasada pelas chuvas e só pôde ser retomada a partir de 24 de julho. Nos Campos de Cima da Serra, parte dos produtores avalia reduzir a área cultivada devido ao atraso no calendário agrícola, que poderá impactar também o plantio da soja.
Nas regiões de Santa Maria, Soledade e Pelotas, o excesso de umidade segue dificultando os tratos culturais e favorecendo o surgimento de doenças fúngicas. Apesar dos desafios enfrentados em praticamente todas as regiões produtoras, a Emater/RS-Ascar avalia que, de forma geral, as lavouras mantêm condições satisfatórias de desenvolvimento.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
