Ricardo Jardim será julgado pelo Tribunal do Júri pela morte de Brasília Costa, de 65 anos, cujo corpo foi encontrado em partes em diferentes pontos de Porto Alegre, incluindo a Estação Rodoviária da Capital. A decisão de pronúncia foi proferida na quarta-feira pela juíza Cristiane Busatto Zardo, da 4ª Vara do Júri de Porto Alegre, especializada em feminicídio. O réu continuará preso preventivamente, e a data do julgamento ainda não foi definida.
Jardim responderá pela acusação de feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar, com agravantes relacionadas à idade da vítima e ao suposto uso de recurso que teria dificultado sua defesa. Ele também será julgado por vilipêndio e ocultação de cadáver, furto, falsificação de documento público, uso de documento falso, falsa identidade, invasão de dispositivo informático e três episódios de furto mediante fraude.
Na decisão, a magistrada considerou haver prova da materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria para que o caso seja submetido ao julgamento popular. Entre os elementos analisados estão imagens de câmeras de segurança, depoimentos e circunstâncias relacionadas ao desaparecimento de Brasília e à localização dos restos mortais. A decisão de pronúncia ainda pode ser contestada por meio de recurso.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Brasília e Jardim mantinham um relacionamento afetivo e moravam na mesma pensão, no bairro São Geraldo, em Porto Alegre. Conforme a acusação, o crime ocorreu entre os dias 8 e 12 de agosto de 2025, em circunstâncias que ainda não foram esclarecidas.
Após a morte, Jardim teria vilipendiado o cadáver e ocultado partes do corpo em diferentes locais da Capital. A cabeça da vítima ainda não foi localizada. Exames genéticos permitiram identificar Brasília e confirmar o parentesco com o irmão dela.
Imagens de câmeras de segurança da Rodoviária de Porto Alegre e de outros locais ajudaram os investigadores a rastrear o percurso da pessoa que deixou uma mala contendo parte do corpo da vítima.
A denúncia também atribui a Jardim a subtração do celular de Brasília, o uso de documentos falsos e de falsa identidade, além do acesso a comunicações privadas armazenadas no aparelho. Conforme o MPRS, ele teria enviado mensagens se passando pela vítima para simular que ela continuava viva e evitar que o desaparecimento fosse percebido.
O réu também é acusado de realizar três saques de valores pertencentes ao espólio da vítima, em agosto de 2025, por meio de fraude.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
