O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou neste domingo (11) que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) retire do Instagram publicações relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República. A decisão atende a um pedido da campanha do parlamentar, que acusou a entidade sindical de utilizar seu perfil institucional para desestimular votos em sua candidatura e favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.
Entre os conteúdos questionados estava uma montagem que associava Flávio Bolsonaro ao chamado Escritório do Crime e às milícias do Rio de Janeiro. A publicação incluía fotografias de Adriano da Nóbrega, morto em 2020 e apontado como chefe do grupo criminoso. Outras postagens relacionavam uma eventual eleição do senador ao congelamento do salário mínimo e das aposentadorias, ao fim do Pix e à manutenção da escala de trabalho 6×1.
Ao fundamentar a decisão, Mendonça apontou a aparente irregularidade da divulgação de propaganda eleitoral no perfil institucional de uma pessoa jurídica, referindo-se à CUT. Para o ministro, as publicações ultrapassaram a manifestação de posicionamentos sindicais sobre direitos trabalhistas, previdência e questões econômicas.
Na decisão, o magistrado destacou que os conteúdos identificavam diretamente o candidato e associavam uma eventual eleição a consequências negativas para os eleitores, com o objetivo de desestimular votos em sua candidatura. Mendonça também apontou que uma das publicações estabelecia comparação direta com Lula e continha um chamado explícito ao voto, acompanhado de referências à candidatura do presidente.
Na noite deste domingo, as publicações questionadas já não estavam disponíveis no perfil da CUT. Após a decisão judicial, entretanto, a entidade fez uma nova postagem com a mensagem: “ATENÇÃO! Mendonça e Flávio Bolsonaro não querem que você veja isso”. O conteúdo voltou a apresentar alegações de que o plano de governo do candidato do PL colocaria as aposentadorias em risco e poderia levar ao fim do Pix.
Também neste domingo, durante um evento com prefeitos em São Paulo, Flávio Bolsonaro afirmou que não pretende acabar com programas sociais e que manterá o reajuste real do salário mínimo, cuja política de valorização tem reflexos sobre os benefícios da Previdência Social. “Ninguém vai tocar em programas sociais”, declarou o senador.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
