Por: João Victor C. dos Santos, Estudante de Ciência Política e História, fundador e líder do grupo Barões da Restauração e mantenedor do site Brumas do Passado.
A defesa do ideal monárquico, para muitos (incluindo eu), deve estar acima do espectro partidário; afinal, trata-se de um ideal institucional que busca uma união e uma estabilidade para a Nação, e por isso deve-se ter em mente um princípio básico – a forma de governo não pode ser confundida com os programas e políticas aplicados pelo partido que está governando. É por isso que qualquer pessoa de qualquer crença ou ideologia política pode ser, sim, simpatizante à causa monarquista. Porque a monarquia deve ser, acima de tudo, pensada como um projeto de Estado capaz de oferecer continuidade, simbolismo e equilíbrio entre os Poderes, sendo um referencial superior às disputas cotidianas. Do contrário, não faria sentido algum defender a mudança da Forma de Governo no país.
Entretanto, à medida que mais pessoas simpatizam com a causa monarquista (ao menos na minha percepção tenho visto um aumento nos últimos anos), surgem também personalidades dispostas a se apropriar do rótulo monarquista por mera conveniência eleitoral. Não me entendam mal: deve, sim, existir monarquistas na política, e apoio totalmente a iniciativa disso. O problema que aponto aqui é justamente o de pessoas que se intitulam monarquistas apenas para angariar votos e, depois, contradizem compromissos, negam posições ou, pior ainda, instrumentalizam o movimento para interesses pessoais, sujando, assim, o nome do próprio movimento e gerando desconfiança entre eleitores genuínos.
Por isso, é fundamental ter critérios ao escolher em quem votar: examine o histórico, a coerência entre discurso e prática e a clareza das propostas que apresenta. E, se é alguém que se declara monarquista, veja quem trata o ideal como fator de estabilidade em vez de uma arma de polarização. E, por favor: não escolha ficar em cima do muro também. Por mais que seja um ato legítimo, votar em branco ou nulo ou se abster também tem efeitos concretos e diretos. Independentemente do que você acredita politicamente como certo e errado, a participação consciente ainda é a forma mais eficaz de proteger um ideal.
O voto pode e deve ser usado como um instrumento de pressão: exigir compromissos públicos, responsabilização e transparência são maneiras de fortalecer uma causa. E defender a monarquia exige, portanto, firmeza de princípios e prudência política; apoiar a bandeira não é sinônimo de apoiar qualquer pessoa que a proclame. É um chamado à exigência, de coerência, de propostas sérias e de integridade pública, para que a causa cresça com credibilidade e contribua efetivamente para a Restauração institucional que se almeja.
