POR: JOÃO VICTOR C. DOS SANTOS, ESTUDANTE DE CIÊNCIA POLÍTICA E HISTÓRIA. FUNDADOR E LÍDER DO GRUPO BARÕES DA RESTAURAÇÃO. MANTENEDOR DO SITE BRUMAS DO PASSADO.
“Pedro, o momento é o mais importante de vossa vida. Já dissestes aqui o que ireis fazer em São Paulo. Fazei, pois. Tereis o apoio do Brasil inteiro e, contra a vontade do povo brasileiro, os soldados portugueses que aqui estão nada podem fazer.” (Imperatriz Leopoldina)
“Fique, é o que todos pedem ao magnânimo príncipe que é Vossa Alteza, para o orgulho e felicidade do Brasil. E se não ficar, correrão rios de sangue nesta grande e nobre terra, tão querida do seu real pai, que já governa em Portugal pela opressão das Côrtes, nesta terra que tanto estima a Vossa Alteza e a quem tanto Vossa Alteza estima.” (José Bonifácio de Andrada e Silva)
Quem pensa que a Independência foi algo sem planejamento ou fruto de um impulso momentâneo engana-se totalmente. O Dia do Fico, o Decreto de 4 de Maio de 1822, o Manifesto às Nações Amigas — todos foram atos que antecederam o 7 de Setembro. No entanto, certamente o mais decisivo dos eventos anteriores foi a reunião do Conselho de Estado de 2 de Setembro, presidida pela Princesa Leopoldina, então Regente do Império enquanto Dom Pedro estava em São Paulo. Foi nessa reunião que se consolidou o aconselhamento formal ao príncipe para a separação definitiva entre Brasil e Portugal.

Não nascemos, portanto, como uma nação soberana que rompeu de um estado colonial para se tornar uma república. Já havíamos sido elevados à categoria de Reino em 1815 e, em 1822, tornamo-nos um Império Monárquico na América, como destaca o historiador João Camilo de Oliveira Torres em “A Democracia Coroada”. Ele afirma que o movimento de Independência no Brasil foi “radicalmente distinto e singular na América uniformemente republicana”, consistindo no “fato de já ser o Brasil um reino e como tal permanecer”. Oliveira Torres acrescenta ainda que “os brasileiros não conseguiram a Independência arrancando-a à força do príncipe regente; pelo contrário: tiveram nele um aliado e companheiro. D. Pedro, de longa residência no Brasil, sentia-se muito mais chefe do Estado brasileiro do que futuro rei de Portugal. E os brasileiros correspondiam a esta situação, demonstrando sincera disposição de aceitar o fato consumado da monarquia tropical”.

Comemorar o 7 de Setembro é reverenciar o instante em que o Brasil, erguendo-se com altivez entre as nações, afirmou sua soberania e seu destino histórico. É o dia em que a vontade de um povo, amadurecida em debates, conselhos e decisões firmes, encontrou expressão na voz de um príncipe que escolheu permanecer ao lado desta terra e de seu futuro. Ao celebrarmos essa data magna, rendemos homenagem à coragem de Leopoldina, à lucidez de José Bonifácio e à determinação de Dom Pedro, cujas ações convergiram para a fundação de um Império que nasceu não do caos, mas da consciência política e da dignidade nacional. Que o espírito da Independência continue a iluminar nossa trajetória, lembrando-nos sempre do valor da liberdade.
“Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil. Brasileiros, nossa divisa de hoje em diante será: Independência ou Morte. (Dom Pedro I)
