Por: Por: Rodrigo dos Santos Militão – Um viajante do mundo
Viajar sempre foi, para mim, muito mais do que simplesmente conhecer lugares. É uma forma de sair da nossa realidade, enxergar outras culturas e, principalmente, descobrir que o mundo é muito maior do que aquilo que imaginamos.
Já passei por 172 países e conheci mais de mil regiões diferentes do planeta. No ranking internacional MTP (Most Traveled People), apareço como um dos brasileiros com maior número de regiões visitadas. Mas, mesmo depois de tantos destinos, existem experiências que permanecem guardadas de maneira especial na memória.
Uma delas aconteceu em 2017, quando fui para a Coreia do Norte.
Foram aproximadamente sete dias naquele que é considerado um dos países mais fechados e enigmáticos do mundo. Só conseguir a autorização para entrar no país já foi uma experiência à parte. O processo levou cerca de um ano e, depois de toda a preparação, finalmente consegui conhecer um lugar que desperta a curiosidade de muita gente.
A viagem, como era de se esperar, foi bastante diferente.
Na Coreia do Norte, os deslocamentos dos turistas são rigidamente organizados e acompanhados por guias. Há locais determinados para visitar, regras que precisam ser respeitadas e uma série de cuidados que fazem parte da experiência.
Conheci pontos turísticos, experimentei a culinária local e observei um pouco da rotina daquele país tão distante da nossa realidade.
Mas eu também carregava comigo uma pequena parte do Rio Grande do Sul.
Como bom gremista, levei uma camisa do Grêmio para a viagem. E foi justamente essa camisa que acabou protagonizando uma das fotografias mais curiosas que tenho entre todos os meus registros pelo mundo.
Em determinado momento, consegui fazer uma fotografia ao lado de um tenente de alta patente do Exército norte-coreano, segurando e exibindo a camisa tricolor.
Quando olho para aquela fotografia, penso na situação improvável que ela representa. De um lado, um viajante que nasceu em Panambi, no Rio Grande do Sul, e que hoje mora em Santa Catarina. Do outro, um militar norte-coreano, em um dos países mais fechados do planeta.
Já faz 15 anos que não moro em Panambi. Apesar disso, a cidade continua fazendo parte da minha história e das minhas raízes. Foi de lá que saí para conhecer o mundo e construir uma trajetória que me levou aos lugares mais diferentes que eu poderia imaginar.
Não foi simplesmente uma fotografia com uma camisa de futebol.
Estávamos em um ambiente onde o contato com militares e os registros fotográficos são cercados de controles. Por isso, conseguir aquele momento tornou a imagem ainda mais especial para mim.
E havia outro detalhe curioso. O militar que aparece na fotografia também pode ser identificado em produções internacionais sobre a Coreia do Norte, incluindo documentários exibidos por grandes canais e plataformas.
Quando voltei ao Brasil e a fotografia começou a circular, a repercussão foi enorme. Para minha surpresa, o próprio Grêmio compartilhou o registro em seus canais oficiais. A imagem acabou chegando a torcedores de diferentes partes do país e despertou aquela pergunta inevitável: como uma camisa do Grêmio foi parar ao lado de um militar norte-coreano?
A resposta é simples: levei comigo.
Porque viajar também é isso. É carregar um pouco da nossa história para lugares onde ninguém imaginaria encontrá-la.
Sou de Panambi, no interior do Rio Grande do Sul, embora já faça 15 anos que não moro mais lá. Atualmente vivo em Santa Catarina, mas continuo carregando comigo as lembranças, as raízes e as histórias que construí ao longo da vida.
Hoje, depois de tantos países e regiões visitados, percebo que algumas fotografias acabam contando muito mais do que parecem.
Aquela imagem conta sobre a Coreia do Norte, sobre uma viagem difícil de realizar, sobre uma experiência completamente diferente da nossa realidade e, acima de tudo, sobre a possibilidade de levar um pedaço da nossa identidade para qualquer lugar do planeta.
De Panambi a Pyongyang.
Do Rio Grande do Sul à Coreia do Norte.
E a camisa do Grêmio, claro, foi comigo.
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