O psiquiatra Rafael Bernardon afirmou nesta quarta-feira (27), durante o julgamento sobre a morte do menino Henry Borel, que o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior apresentava um padrão de “infligir dor em crianças”.
O júri de Jairinho e de Monique Medeiros entrou no terceiro dia de depoimentos no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Fórum Central do Rio, após uma sessão que ultrapassou dez horas nesta terça-feira (26), com apenas duas testemunhas ouvidas.
Durante o depoimento, Bernardon reforçou a tese apresentada em parecer anexado ao processo, no qual aponta que Jairinho possui perfil “egocêntrico, narcisista e sádico”. Segundo o psiquiatra, o ex-parlamentar demonstrava prazer nos atos de violência praticados contra ex-companheiras e filhos delas.
“Há um padrão de abuso infantil por parte do réu, um padrão de prazer em infligir dor em crianças”, declarou o psiquiatra durante questionamentos do Ministério Público.
Bernardon também afirmou que sua avaliação possui caráter subjetivo. “Embora seja uma análise subjetiva minha, eu tive essa percepção e interpretação”, disse.
Em determinado momento da audiência, Jairinho interrompeu a fala do especialista para afirmar que a declaração representava apenas uma interpretação do psiquiatra.
A defesa do ex-vereador pretende contestar o parecer apresentado pela acusação com uma perícia independente elaborada pelo psiquiatra Hewdy Lobo, conhecido por atuar em casos de repercussão nacional envolvendo Suzane von Richthofen e Flordelis.
Além de Bernardon, o julgamento prevê os depoimentos do perito Luís Carlos Leal Prestes e da médica Maria Cristina de Souza Azevedo. No segundo dia de sessão, foram ouvidos apenas os delegados Edson Henrique Damasceno e Ana Carolina Medeiros.
Durante a audiência, a juíza Elizabeth Machado Louro advertiu a defesa de Jairinho pelo tempo gasto na oitiva das testemunhas e afirmou que, mantido o ritmo atual, o julgamento poderia se estender por até um mês.
“Parece que estou em universo paralelo, uma hora dessas e vocês discutindo máxima importância?”, criticou a magistrada.
Ao todo, 27 testemunhas de acusação e defesa devem ser ouvidas no julgamento, cuja expectativa é de duração entre cinco e sete dias no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Rio de Janeiro.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
