A Justiça revogou as prisões preventivas dos investigados na Operação Offline, deflagrada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas de Passo Fundo no dia 9 de abril e considerada uma das maiores ações recentes de combate ao tráfico de drogas no Norte do Rio Grande do Sul. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Passo Fundo e permite que os investigados respondam ao processo em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares.
A operação, coordenada pelo delegado Venicios Demartini, mobilizou cerca de 150 policiais civis e 60 viaturas em ações simultâneas realizadas em Passo Fundo, Casca, Paraí e Santo Antônio do Palma. Na ocasião, foram cumpridas 21 prisões preventivas e 36 mandados de busca e apreensão. Ao todo, 27 pessoas acabaram presas, sendo seis em flagrante por tráfico de drogas.
Segundo as investigações da DRACO, o grupo criminoso atuava de forma estruturada, com divisão de funções entre transporte, armazenamento, distribuição e controle financeiro do tráfico. A organização teria forte atuação nos bairros Planaltina e Operária, em Passo Fundo, além de presença consolidada em Casca.
Durante a ofensiva policial, foram apreendidos entorpecentes como maconha, cocaína, crack e ecstasy, além de veículos, dinheiro, celulares e materiais utilizados na preparação das drogas.
As prisões preventivas haviam sido decretadas em 18 de março de 2026 pela Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, em Porto Alegre. Posteriormente, o Ministério Público com atuação na vara especializada entendeu que o caso não configurava organização criminosa, fazendo com que o processo passasse a tramitar em uma das varas criminais de Passo Fundo.
Conforme a decisão judicial, embora existam indícios de autoria e materialidade relacionados ao suposto crime de associação para o tráfico de drogas, trata-se de delito sem emprego de violência ou grave ameaça. O magistrado também ressaltou que os investigados estavam presos há aproximadamente 47 dias e que, até o momento, o Ministério Público ainda não havia oferecido denúncia nem apresentado previsão para o início da instrução processual.
Trechos da decisão destacam que “o próprio período de encarceramento pode ter sido eficaz para dissipar os riscos”, apontando ainda que medidas cautelares alternativas seriam suficientes para garantir o andamento do processo e a aplicação da lei penal.
A Justiça entendeu que o risco apresentado pela liberdade dos investigados pode ser controlado por medidas cautelares diversas da prisão, permitindo que os acusados aguardem o desfecho do processo em liberdade.
Procurado pela reportagem, o advogado criminalista Fabrício Lorandi Pinheiro, que atua na defesa de alguns investigados, afirmou que a decisão foi “técnica, justa e extremamente humana”.
— Passados mais de 45 dias, sequer existia denúncia oferecida em face dos investigados. Também sustentamos que medidas cautelares diversas da prisão poderiam surtir efeito — afirmou.
Segundo o advogado, o inquérito policial é considerado complexo, envolvendo mais de 20 investigados e diversos advogados atuando no caso, inclusive profissionais de Passo Fundo.
Na época da operação, o delegado regional da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Adroaldo Schenkel, destacou a importância da ofensiva no enfrentamento ao tráfico e ao crime organizado na região. Já o delegado Venicios Demartini afirmou que a liderança do grupo comandava ações criminosas de dentro do sistema prisional e que a transferência do principal investigado para uma unidade de maior segurança seria essencial para interromper as ordens criminosas.
O processo segue em tramitação na Justiça de Passo Fundo.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte e foto: Rádio Uirapuru
