A safra de inverno no Rio Grande do Sul apresenta cenários distintos entre as principais culturas. Enquanto a canola mais que dobrou a área cultivada em relação ao ano passado, o trigo e a cevada registram expressiva redução no plantio, conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar divulgado nesta quinta-feira (25).
A semeadura da canola está em fase de conclusão e deve atingir 353.397 hectares, crescimento de 102,64% em comparação aos 174.394 hectares cultivados em 2025. As primeiras lavouras já iniciaram o florescimento e, de forma geral, apresentam bom estabelecimento, emergência uniforme e desenvolvimento vegetativo satisfatório. A produtividade média projetada é de 1.619 quilos por hectare, com expectativa de produção de 571.975 toneladas.
Já o trigo, principal cereal de inverno do Estado, teve cerca de 70% da área prevista semeada. Apesar das boas condições das lavouras implantadas, a cultura registra retração de aproximadamente 30% na área cultivada, que deve totalizar 814.220 hectares, frente aos 1,16 milhão de hectares da safra anterior. Entre os fatores apontados pela Emater estão a menor rentabilidade, os altos custos de produção, as restrições de crédito e o aumento do risco climático. A produção estimada é de 2,2 milhões de toneladas, com produtividade média de 2.701 quilos por hectare.
A aveia-branca mantém estabilidade na área cultivada, estimada em 387.697 hectares, redução de apenas 1,38% em relação ao ciclo anterior. As lavouras apresentam bom desenvolvimento vegetativo, sem registros de pragas ou doenças de maior importância econômica.
A cevada também registra forte retração, com redução de 36,52% na área plantada, que passa para 20.320 hectares. Segundo a Emater, o receio de perdas causadas pelo excesso de chuvas durante a maturação, associado ao fenômeno El Niño, levou muitos produtores a reduzirem os investimentos na cultura. A produtividade média prevista é de 3.020 quilos por hectare, com produção estimada em 61.369 toneladas.
Entre as culturas de verão, a colheita da soja está praticamente concluída no Estado. A produtividade média foi revisada para 2.707 quilos por hectare, abaixo da projeção inicial de 3.180 quilos por hectare, reflexo da irregularidade das chuvas durante o ciclo da cultura. A área cultivada alcançou 6,69 milhões de hectares.
A colheita do milho também foi tecnicamente encerrada, com produtividade média estimada em 7.362 quilos por hectare, praticamente estável em relação às estimativas iniciais. No milho destinado à silagem, a produtividade média ficou em 36.878 quilos por hectare.
O feijão da segunda safra teve redução de 45,7% na área cultivada, mas apresentou produtividade média de 1.414 quilos por hectare, ligeiramente superior à previsão inicial.
Na citricultura, os pomares seguem apresentando boas condições de desenvolvimento e perspectivas favoráveis de produção. No entanto, a confirmação de um foco de greening na região de Palmitinho aumentou a preocupação dos produtores e reforçou a necessidade de medidas preventivas para evitar a disseminação da doença, considerada uma das mais severas da citricultura mundial.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
