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    Início » A IMPERATRIZ QUE O BRASIL NÃO TEVE: 180 ANOS DA PRINCESA ISABEL
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    A IMPERATRIZ QUE O BRASIL NÃO TEVE: 180 ANOS DA PRINCESA ISABEL

    Fernando KopperFernando Kopper30 de julho de 202604 Mins Read2

    Por: João Victor C. dos Santos, Estudante de Ciência Política e História, fundador e líder do grupo Barões da Restauração e mantenedor do site Brumas do Passado.

    Neste 29 de julho, celebram-se os 180 anos do nascimento daquela que a História consagrou como “A Redentora”: Sua Alteza Imperial e Real, a Princesa Isabel Christina Leopoldina Augusta Michaela Gabriela Raphaela Gonzaga de Bourbon Bragança e Orléans, eternamente lembrada como Princesa Isabel.

    Nascida no Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em 29 de julho de 1846, Isabel era a segunda filha de Sua Majestade, o Imperador Dom Pedro II, e de Sua Majestade, a Imperatriz Dona Teresa Cristina. Com o falecimento prematuro de seus irmãos homens, foi oficialmente proclamada como Sucessora Presuntiva ao Trono e a Coroa do Império do Brasil, conforme estabelecido pelo Decreto nº 691, de 14 de agosto de 1850. Se o Império tivesse seguido seu curso natural, caberia a ela ascender ao Trono como Imperatriz Constitucional e Defensora Perpétua do Brasil do Brasil.

    Educada com rigor intelectual e profundo senso de dever, a Princesa Isabel foi preparada desde a infância para exercer as mais altas responsabilidades de Estado. Ao longo da vida, assumiu por três vezes a Regência do Império durante as viagens de Dom Pedro II ao exterior, conduzindo os assuntos do governo com equilíbrio, prudência e respeito às instituições.

    Seu nome, contudo, tornou-se inseparável de um dos mais importantes capítulos da história nacional. Em 13 de maio de 1888, na qualidade de Regente do Império, sancionou a Lei Áurea, extinguindo definitivamente a escravidão no Brasil. Esse ato histórico fez com que fosse lembrada pelo povo e por abolicionistas como “A Redentora”, título que atravessou gerações e permanece associado à sua figura.

    A profunda gratidão despertada pelo 13 de Maio se manifestou de diversas formas. Entre essas manifestações, destacou-se a formação da Guarda Negra, uma organização composta majoritariamente por homens negros libertos e abolicionistas que se dispuseram a defender a Monarquia e a Princesa Isabel diante das crescentes tensões políticas da época, que aumentaram com a Lei Áurea.

    Também nesse contexto, também foi levantada a proposta de erguer, no alto do Corcovado, uma estátua da Princesa Isabel pelo ato da abolição, embora ela tenha recusado tal ideia, alegando que o único que tinha direito de se proclamar redentor era Jesus Cristo. Todavia, no aspecto religioso, a Princesa Isabel recebeu um dos maiores reconhecimentos e honrarias da Igreja Católica por conta da abolição, através do Papa Leão XIII – a Rosa de Ouro.

    A queda da Monarquia, em 15 de novembro de 1889, impediu que a Princesa Isabel cumprisse o destino para o qual havia sido preparada desde a infância. O Brasil jamais conheceu a Imperatriz que ela seria, e a herdeira da Coroa seguiu para o exílio ao lado de sua família, vivendo os últimos 30 anos de sua vida longe da pátria que tanto amava. Ainda assim, jamais renunciou à dignidade de sua posição nem deixou de demonstrar profundo afeto pelo povo brasileiro.

    Mais de um século após sua partida, a memória da Princesa Isabel é cada vez mais resgatada como símbolo de devoção ao dever, compromisso com a nação, espírito de serviço e fidelidade aos princípios que orientaram sua vida. Independentemente das diferentes interpretações históricas sobre sua atuação, é inegável sua importância na formação do Brasil Independente e no legado institucional do Império.

    Neste aniversário de 180 anos de seu nascimento, prestamos nossa homenagem à Princesa Isabel, recordando sua trajetória com respeito e gratidão. Que sua memória continue inspirando o estudo da nossa história, o apreço pelas instituições nacionais e o reconhecimento daqueles que dedicaram suas vidas ao Brasil.

    Fernando Kopper

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