A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada neste domingo (25), desencadeou uma forte onda de vendas de ativos brasileiros no mercado internacional. Na manhã desta segunda-feira (26), ações de grandes empresas nacionais negociadas nos Estados Unidos registravam quedas expressivas, enquanto investidores reavaliavam suas posições diante das incertezas sobre a política econômica do novo governo.
O movimento atingiu empresas de diferentes setores e acendeu um alerta para a abertura da Bolsa brasileira. Entre os indicadores mais afetados estava o EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha ações de empresas brasileiras. No pré-mercado, o ativo chegou a registrar desvalorização de 26,02%, sendo negociado a US$ 31,51, contra US$ 42,59 no fechamento de sexta-feira (23).
A reação negativa ocorreu após semanas em que parte dos investidores apostava na vitória de Flávio Bolsonaro (PL), expectativa que havia contribuído para a valorização dos ativos brasileiros. Com a confirmação da vitória de Lula, essas apostas foram revistas, provocando uma forte correção nos preços.
A queda atingiu diretamente grandes instituições financeiras e empresas brasileiras. Na pré-abertura de Wall Street, o Bradesco chegou a recuar 28,75%, o Itaú Unibanco caiu 27,1%, a Petrobras perdeu 23,17%, o Nubank recuou 21,57% e a Ambev registrou baixa de 16,06%. A Braskem chegou a apresentar desvalorização de 31,76%. A XP também registrou queda superior a 45% em Nova York.
O movimento não ficou restrito às ações. Os contratos futuros do real negociados em Chicago registraram perdas superiores a 10%, levando o dólar a um valor equivalente a aproximadamente R$ 5,58 em determinados contratos. Essa referência, contudo, corresponde ao mercado futuro no exterior, e não à cotação oficial do dólar comercial no Brasil.
O tamanho das perdas acendeu o alerta para a abertura da B3, a bolsa brasileira. Analistas apontaram a possibilidade de um circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa atinge determinados limites de queda. A eventual ocorrência dependeria do comportamento efetivo do índice durante o pregão.
Receio fiscal está no centro da reação
A principal preocupação dos investidores está relacionada à condução das contas públicas no novo mandato. Parte do mercado esperava que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro fosse acompanhada de medidas mais rigorosas de contenção de gastos, reformas e mudanças na política econômica.
Com a reeleição de Lula, investidores passaram a reavaliar essas expectativas. O receio é de que a dificuldade de conter o crescimento da dívida pública mantenha os juros elevados, pressione o real e encareça o financiamento do governo e das empresas.
A dimensão da reação também está relacionada ao movimento anterior das cotações. Após o primeiro turno, o Ibovespa chegou a superar os 200 mil pontos, enquanto o real se valorizou diante do dólar. A vitória de Lula contrariou as apostas de parte dos investidores e provocou uma revisão brusca dos preços dos ativos brasileiros.
O comportamento dos mercados nos próximos dias dependerá, entre outros fatores, das primeiras sinalizações econômicas do governo, da composição da equipe responsável pela área fiscal e das medidas apresentadas para controlar a dívida pública. Apesar do choque inicial, a dimensão e a duração das perdas ainda dependerão das decisões econômicas e das condições políticas do novo mandato.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
