A Black Friday de 2026, marcada para 27 de novembro, deve registrar retração no volume de vendas e no faturamento do varejo brasileiro. Segundo estimativas do Instituto de Inteligência de Mercado (IEMI), a expectativa é de queda de 5,8% no volume comercializado e de 2,5% no faturamento em comparação com a edição de 2025. O cenário é influenciado por mudanças no comportamento dos consumidores e por transformações no mercado de apostas e nas compras internacionais.
Apesar da previsão de recuo, o interesse dos consumidores pela data permanece elevado. Conforme os dados apresentados, 62% pretendem realizar compras durante a promoção, enquanto 44% planejam gastar mais de R$ 1 mil. Entre as categorias mais procuradas estão eletrônicos, citados por 50% dos consumidores, eletrodomésticos, com 44%, e vestuário, com 41%.
O preço, porém, continua sendo decisivo para a escolha dos compradores. A exigência de frete grátis e de descontos considerados reais é determinante para 75% dos consumidores, aumentando a pressão sobre os lojistas para oferecer condições competitivas.
Entre os fatores que podem influenciar o desempenho do varejo está a restrição às apostas virtuais. O alto endividamento das famílias brasileiras, estimado em 81,7%, e as preocupações relacionadas à saúde pública estão entre os motivos apontados para as medidas contra as bets. Segundo as informações apresentadas, as apostas retiraram até R$ 141 bilhões de outros setores em 2025. A redução desses gastos pode abrir espaço no orçamento doméstico para o pagamento de dívidas e o consumo, embora o impacto sobre as vendas ainda dependa do comportamento das famílias.
Outro ponto de atenção é a isenção do imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”. A medida, cuja isenção foi mantida após a suspensão de uma Medida Provisória, favoreceu as compras em plataformas internacionais, como Shein e Shopee. Os volumes de pedidos nesses canais teriam crescido mais de 70% na comparação anual.
Entidades do setor produtivo, como a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), alertam que a desoneração pode direcionar parte do consumo para produtos importados, prejudicando o comércio nacional e os empregos na indústria brasileira de vestuário.
A expectativa é de que os bens duráveis e os eletroeletrônicos mantenham participação importante nas vendas da Black Friday. Já produtos de uso pessoal, como roupas e cosméticos, devem ganhar força também nas compras realizadas mais perto das festas de Natal.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
