O setor de transporte de cargas acompanha com cautela os relatos de restrições e atrasos na entrega de óleo diesel a produtores rurais do Rio Grande do Sul. A Federação da Agricultura do Estado (Farsul) já solicitou ações urgentes à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) diante das dificuldades relatadas no fornecimento do combustível para o campo.
Apesar da preocupação, o presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul (Fecam-RS), André Luiz Costa, afirma que ainda é cedo para determinar se os problemas de abastecimento terão reflexos significativos sobre o comportamento dos caminhoneiros.
Segundo Costa, informações sobre possível racionamento de diesel e agravamento da situação têm circulado nas redes sociais, mas o momento exige cautela na avaliação do cenário.
“Tem gente em tudo que é mídia social dizendo: ‘vai faltar diesel’, ‘temos que racionar’, há toda uma teoria da conspiração, até um certo terrorismo. Diante deste dinamismo da informação, de rapidez e sobrecarga de informação, todo mundo especulando sem verificar a notícia, precisamos ter um pouco de paz e serenidade. Ainda temos muitas coisas a viver pela frente até o final do ano”, afirmou.
O dirigente disse que o comportamento do setor deverá ser acompanhado ao longo dos próximos dias, especialmente diante das incertezas no mercado internacional de petróleo e de possíveis impactos sobre o abastecimento nacional.
A economista Dilani Silveira Bassan, doutora em Desenvolvimento Regional e professora das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat), destaca que o diesel possui impacto direto sobre diferentes setores da economia, especialmente porque o transporte rodoviário é responsável por grande parte da movimentação de cargas no país.
“Temos o transporte rodoviário como o principal motor da nossa atividade econômica, porque há o transporte de alimentos e cargas em sua maioria pelas estradas. Mesmo os subsídios do governo federal não têm, de certa forma, baixado os preços dele. Isto impacta diretamente nos preços dos produtos finais, fazendo com que fiquem elevados”, explicou.
No setor agrícola, o custo pode ser ainda maior devido à forma de aquisição do combustível. Segundo a economista, muitos produtores rurais compram diesel por meio de Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), que podem praticar valores superiores aos encontrados diretamente nos postos.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Rio Grande do Sul (Setcergs), Delmar Albarello, também relatou dificuldades no fornecimento de diesel para as lavouras. Segundo ele, limitações nos contratos da Petrobras podem reduzir as cotas destinadas às distribuidoras, fazendo com que eventuais problemas de abastecimento atinjam inicialmente os TRRs.
“Quando dá qualquer falta, primeiro estoura no TRR. Precisamos aguardar as decisões internacionais para avaliar como será o abastecimento nos postos”, afirmou Albarello.
Além dos relatos de dificuldades no fornecimento, os preços do diesel apresentaram alta nas últimas semanas. De acordo com dados da ANP, o preço médio de revenda do diesel S10 no Rio Grande do Sul passou de R$ 6,55 por litro, entre 30 de agosto e 5 de setembro, para R$ 6,72 entre 6 e 12 de setembro.
Em Porto Alegre, a média passou de R$ 6,29 para R$ 6,35 no mesmo período. No levantamento nacional, o preço médio do litro do diesel S10 subiu de R$ 6,88 para R$ 6,97.
O cenário ocorre em meio à instabilidade do mercado internacional de petróleo e às preocupações do setor produtivo gaúcho com os custos de transporte e das operações agrícolas. A evolução do abastecimento nas próximas semanas será acompanhada pelas entidades do transporte e do agronegócio.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
