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    Início » Tempo seco favorece plantio da canola no RS, enquanto trigo e cevada devem ter redução de área na safra 2026
    Agronegócio

    Tempo seco favorece plantio da canola no RS, enquanto trigo e cevada devem ter redução de área na safra 2026

    Fernando KopperFernando Kopper1 de junho de 202604 Mins Read6
    A semeadura da canola avança em ritmo acelerado no Rio Grande do Sul, favorecida pelas condições de tempo seco e pela boa trafegabilidade nas lavouras. Em algumas regiões produtoras, o plantio já se aproxima da conclusão. No entanto, a persistência da baixa umidade no solo tem reduzido o ritmo da implantação e condicionado a emergência das plantas.
    Conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar, as lavouras já estabelecidas encontram-se em desenvolvimento vegetativo inicial. A expectativa é de significativa expansão da área cultivada com canola no Estado, impulsionada por alternativas econômicas mais atrativas e pela diversificação dos sistemas de produção de inverno.
    A área efetivamente cultivada ainda está sendo levantada pela Emater/RS-Ascar. Na safra de 2025, a cultura ocupou 174.394 hectares, com produtividade média de 1.653 quilos por hectare e produção total de 285.481 toneladas, segundo dados do IBGE.
    Enquanto a canola apresenta perspectiva de crescimento, a cultura do trigo inicia a semeadura sob um cenário menos otimista. As operações acompanham a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para os principais materiais utilizados no Estado. O tempo seco tem favorecido o manejo das áreas e o início dos trabalhos de implantação.
    Apesar disso, a projeção para a safra 2026 aponta redução significativa da área cultivada com trigo. Entre os fatores que influenciam a decisão dos produtores estão os elevados custos de produção, a baixa rentabilidade da cultura e o aumento da preocupação com os riscos climáticos associados à atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.
    Mesmo diante desse cenário, alguns produtores optam por antecipar a semeadura em áreas não vinculadas a financiamentos ou seguros agrícolas, buscando posicionar as fases mais sensíveis da cultura antes do período de maior incidência de chuvas.
    Na safra passada, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, alcançando produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção total de 3,46 milhões de toneladas.
     
    A aveia-branca também apresenta avanço na semeadura, beneficiada pelas condições favoráveis de solo e pelo predomínio de tempo seco. As primeiras áreas implantadas demonstram bom estabelecimento e desenvolvimento vegetativo, com baixa incidência de pragas e doenças. A tendência é de manutenção ou leve aumento da área cultivada em relação ao ciclo anterior.
    Já a cevada deve registrar uma das maiores reduções de área para a safra 2026. A expectativa é de retração superior a 30% em comparação com a safra passada. O principal motivo é o aumento da percepção de risco climático, especialmente diante da possibilidade de influência do El Niño, mesmo com a continuidade dos contratos oferecidos pela indústria cervejeira.
    No caso da soja, a colheita está praticamente concluída, atingindo 99% da área cultivada. O tempo seco favoreceu a finalização dos trabalhos, embora os resultados sejam bastante heterogêneos em função das diferenças de época de plantio, disponibilidade hídrica e potencial produtivo das lavouras.
    A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 2.871 quilos por hectare em uma área cultivada de 6,62 milhões de hectares.
    A colheita do milho também está próxima do encerramento, alcançando 96% da área cultivada. Restam apenas áreas de safrinha e lavouras implantadas mais tardiamente, que se encontram em fase de maturação. A produtividade média estadual é estimada em 7.424 quilos por hectare.
    No milho destinado à silagem, a colheita já alcança 98% das áreas cultivadas, com produtividade média estimada em 37.840 quilos por hectare.
    O feijão de segunda safra apresenta colheita em 57% da área cultivada. As temperaturas mais baixas e a ocorrência de geadas influenciaram o desenvolvimento final da cultura, especialmente nas lavouras implantadas mais tardiamente. A produtividade média projetada é de 1.401 quilos por hectare.
    Já a colheita do arroz irrigado está tecnicamente encerrada no Rio Grande do Sul. Apenas áreas pontuais de plantio tardio ainda permanecem em fase de conclusão. Os resultados da safra foram considerados satisfatórios, com produtividades superiores às estimativas iniciais em diversas regiões produtoras.
    Apesar do bom desempenho no campo, o setor enfrenta dificuldades na comercialização, com preços abaixo dos registrados na safra anterior e também inferiores à média histórica. Segundo o Irga, a área cultivada com arroz no Estado foi de 891.908 hectares, enquanto a produtividade média projetada pela Emater/RS-Ascar alcança 8.744 quilos por hectare.
    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Foto: José Schäfer
    Fernando Kopper

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