O fornecimento de diesel no Rio Grande do Sul voltou a preocupar produtores rurais diante de relatos de atrasos e restrições na entrega do combustível. A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) acionou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Ministério de Minas e Energia para cobrar providências e fiscalização sobre a distribuição.
Na Região Metropolitana, levantamento citado pela Farsul aponta preços do diesel S10 entre R$ 6,39 em Canoas e R$ 7,35 em Cachoeirinha. Dados mais recentes da ANP, referentes à semana de 6 a 12 de setembro, apontaram preço médio de R$ 6,63 em Canoas e R$ 6,34 em Cachoeirinha, embora os valores possam variar entre os postos.
Segundo estudo da Assessoria Econômica da Farsul, o diesel S10 acumulou alta de 21,1% entre o fim de fevereiro e o início de abril, passando de R$ 5,97 para R$ 7,23 por litro. Naquele cenário, a entidade calculou um aumento de R$ 612,2 milhões nos custos diretos das operações mecanizadas das principais lavouras gaúchas.
A preocupação voltou a ganhar força agora, durante o início do plantio das culturas de verão. De acordo com a Farsul, cerca de 170 municípios gaúchos já haviam sido afetados por restrições no fornecimento entre março e abril. A entidade afirma que a situação pode comprometer operações agrícolas justamente em um período de elevada demanda por tratores, plantadeiras, pulverizadores e caminhões.
Além do impacto sobre os custos, a eventual dificuldade para obter combustível pode afetar a janela de plantio. A Farsul alerta que atrasos nas operações podem prejudicar o calendário das lavouras de arroz, milho e soja, enquanto a canola entra no período de colheita.
A entidade também aponta dificuldades relacionadas à diferença entre os preços praticados no mercado brasileiro e as cotações internacionais. Segundo reportagem da Reuters publicada em 16 de setembro, a Petrobras comercializava o diesel cerca de R$ 3,89 por litro abaixo do custo de importação, em uma das maiores defasagens já registradas. O Brasil atende aproximadamente 75% da demanda de diesel com produção doméstica e depende de importações para o restante.
A situação também ocorre após a Petrobras anunciar, em 16 de setembro, aumento de R$ 1 por litro no diesel vendido nas refinarias. O reajuste, segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, não seria imediatamente repassado ao consumidor devido a um programa de subsídio destinado a compensar parte da diferença provocada pela alta das cotações internacionais.
A Farsul solicita à ANP fiscalização das distribuidoras que atuam no Estado, especialmente no atendimento a postos independentes, Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs) e municípios do interior. A entidade também pede informações regionalizadas sobre estoques, pedidos, volumes entregues, recusas e prazos de atendimento.
Entre as solicitações estão ainda o esclarecimento dos critérios usados pelas distribuidoras para definir a quantidade de combustível destinada a cada comprador, a apuração de possíveis recusas ou retenções de produto e informações sobre o calendário de importações e os efeitos da subvenção anunciada pelo governo federal.
Apesar dos relatos de dificuldades, postos consultados na Região Metropolitana não registraram, até o momento, falta generalizada do combustível. A preocupação das entidades está concentrada principalmente nos atrasos e nas restrições de fornecimento ao setor produtivo.
O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (SETCERGS) informou que acompanha com preocupação os desdobramentos, mas ainda não possui um prognóstico sobre os impactos das restrições para o setor de transporte.
A Farsul também afirma que já solicitou providências ao Ministério de Minas e Energia, com apoio do governo estadual, enquanto aguarda respostas dos órgãos responsáveis sobre as medidas para garantir o abastecimento durante o período de plantio e colheita no Rio Grande do Sul.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
