A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta quarta-feira (28), uma operação contra uma organização criminosa suspeita de aplicar um golpe bancário de aproximadamente R$ 300 mil e lavar parte do dinheiro por meio de criptomoedas. A ação, coordenada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, cumpriu três mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão na cidade de São Paulo, com apoio da Polícia Civil paulista.
Segundo as investigações, a vítima foi manipulada durante quase um mês por suspeitos que se apresentavam como integrantes dos departamentos de segurança de instituições financeiras. Eles alegavam que criminosos estariam tentando acessar suas contas bancárias e convenciam a vítima a realizar transferências sob o pretexto de ajudar a identificar os supostos invasores.
De acordo com a delegada Luciane Bertoletti, os investigados alternavam as identidades utilizadas, apresentando-se como funcionários de bancos diferentes e, posteriormente, como representantes do Banco Central. Para manter a vítima sob controle, afirmavam que o caso estava sendo investigado sigilosamente pela Polícia Federal e orientavam que ela não procurasse as autoridades nem contasse a outras pessoas.
A vítima realizou transferências que somaram entre R$ 200 mil e R$ 230 mil antes de perceber que havia caído em um golpe. A partir desse momento, os suspeitos passaram a fazer ameaças para obter o restante do dinheiro. Conforme a delegada, o grupo afirmava conhecer o endereço, a rotina e os familiares da vítima. As intimidações teriam continuado por mais dois ou três dias, permitindo que os criminosos obtivessem os valores restantes.
A apuração identificou uma divisão de tarefas entre os integrantes da organização. Enquanto um núcleo abordava e manipulava as vítimas, outro era responsável por movimentar os recursos por meio de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, dificultando o rastreamento do dinheiro e eventuais bloqueios.
Do total subtraído, aproximadamente R$ 46 mil teriam sido convertidos em criptomoedas, incluindo Bitcoin e Ethereum. Parte dos ativos teria sido transferida para carteiras digitais privadas e contas no exterior, conforme a investigação.
Além das prisões e buscas, a Polícia Civil solicitou o bloqueio de contas bancárias. Durante a operação, uma motocicleta também foi apreendida. Os materiais recolhidos serão submetidos à perícia, e os valores e bens bloqueados poderão contribuir para a recuperação dos prejuízos.
Os investigados são suspeitos de estelionato qualificado, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O diretor regional de Polícia, delegado Cristiano Reschke, destacou que o combate a essas modalidades criminosas exige não apenas a prisão dos envolvidos, mas também o rastreamento e a recuperação dos recursos financeiros utilizados nas atividades ilegais.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
