Por: Márcio Ücker – Produtor rural e especialista em gestão de negócios
Com prazo se aproximando do fim, programa renegociou R$ 14,34 bilhões dos R$ 100 bilhões inicialmente anunciados. Rio Grande do Sul lidera as operações, e Banco do Brasil concentra o maior volume entre as instituições financeiras.
A renegociação das dívidas rurais prevista na Medida Provisória 1.376/2026 alcançou R$ 14,34 bilhões até 27 de outubro, segundo levantamento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) junto ao Banco Central, divulgado pela CNN Brasil. O valor representa aproximadamente 14,3% dos R$ 100 bilhões anunciados inicialmente como potencial de renegociação.
Com o prazo de contratação se encerrando em novembro, o resultado levanta uma questão fundamental para o agronegócio: por que, mesmo diante do elevado endividamento rural, o volume renegociado permanece tão distante da expectativa inicial?
Rio Grande do Sul lidera; Banco do Brasil concentra o maior volume
O levantamento divulgado pela CNN aponta mais de 27 mil operações realizadas. O Rio Grande do Sul lidera, com mais de R$ 7 bilhões renegociados. Na sequência aparecem Minas Gerais e São Paulo, com aproximadamente R$ 900 milhões cada, seguidos pelo Paraná e por Goiás, com cerca de R$ 800 milhões cada.
Entre as instituições financeiras, o Banco do Brasil lidera, com R$ 5,7 bilhões em operações contabilizadas no levantamento. Sicredi, com R$ 4,1 bilhões, e Banrisul, com R$ 2,5 bilhões, também aparecem entre os principais agentes do programa.
O que explica o resultado abaixo do esperado?
Um dos fatores apontados pelo governo foi o tempo necessário para regulamentar as novas linhas de crédito. Em setembro, a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, reconheceu que o ritmo inicial havia sido afetado pela necessidade de publicação das normas operacionais para os bancos.
Outro obstáculo está nos critérios de enquadramento. A MP exige comprovação de perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada, além de documentação técnica. Também é necessário que as dívidas estejam dentro das modalidades e condições previstas na medida.
O próprio Banco do Brasil informou que a procura por parte de produtores inadimplentes ficou abaixo da expectativa inicial. Segundo a instituição, houve maior demanda quando as linhas passaram a atender também produtores adimplentes com operações prorrogadas ou renegociadas.
Quinze dias para destravar as renegociações
A proximidade do prazo final aumenta a pressão sobre bancos, governo e representantes do setor. A MP tem validade até 11 de novembro, enquanto o prazo operacional divulgado para contratação das linhas vai até 12 de novembro.
Para milhares de produtores rurais, a questão vai além dos números: é a possibilidade de reorganizar dívidas, recuperar a capacidade de financiamento e continuar produzindo.
A pergunta que fica para o setor é direta: as renegociações conseguirão avançar a tempo de atender os produtores que ainda aguardam uma solução?
