A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira, 27/10, a Operação Obelisco, em Dom Pedrito, na região da Campanha, para investigar cerca de dez empresários suspeitos de participação em um esquema de fraude fiscal. A ação é um desdobramento da Operação Acerto de Contas, que identificou um suposto esquema estruturado a partir de um escritório de contabilidade localizado em Sapiranga, no Vale do Sinos.
Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, com a participação de 30 policiais civis. Segundo a investigação, pelo menos 12 empresas estão envolvidas nas medidas, e os indícios de sonegação de impostos estaduais ultrapassam R$ 550 mil.
Conforme a Polícia Civil, os empresários investigados teriam contado com o auxílio de um contador para transferir empresas endividadas para o nome de terceiros, conhecidos como “laranjas”. Posteriormente, novos negócios seriam abertos para permitir a continuidade das atividades sem que os responsáveis aparecessem formalmente vinculados às dívidas anteriores.
A investigação também apura práticas descritas como “redução tributária”, que, nesse contexto, estariam relacionadas à sonegação de impostos. De acordo com os investigadores, pessoas em situação de vulnerabilidade teriam sido utilizadas como titulares formais das empresas.
Entre os casos investigados, há suspeitas de que um empresário tenha colocado uma empresa no nome do próprio filho, que tem autismo. Em outra situação, um investigado teria transferido uma empresa endividada para uma pessoa cega que utiliza cadeira de rodas.
Os administradores das empresas são suspeitos de crimes contra a ordem tributária e falsidade ideológica. A Polícia Civil busca reunir provas documentais, digitais, contábeis e financeiras, identificar outros possíveis beneficiários e dimensionar o prejuízo aos cofres públicos. A investigação também pretende viabilizar a responsabilização dos envolvidos e o ressarcimento dos tributos supostamente sonegados.
A Operação Obelisco é conduzida pela Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro, vinculada ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (DERCAP), com apoio da Delegacia de Polícia Regional de Bagé.
A investigação original, denominada Operação Acerto de Contas, foi deflagrada em 28 de janeiro de 2026, em uma ação conjunta da Polícia Civil, do Ministério Público do Rio Grande do Sul e da Receita Estadual. Na ocasião, foram cumpridas 261 ordens judiciais, incluindo 31 mandados de busca e apreensão, 11 medidas de monitoração eletrônica, o sequestro de 14 imóveis, a apreensão de 30 veículos e o bloqueio de ativos financeiros de até R$ 225,4 milhões.
O principal investigado naquela fase, responsável por um escritório de contabilidade em Sapiranga, está preso preventivamente desde o início do ano. Segundo a Polícia Civil, diligências posteriores indicaram que os serviços oferecidos pelo grupo teriam alcançado empresários de diferentes regiões do Rio Grande do Sul, incluindo Dom Pedrito.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
