A renovação da concessão da Malha Sul ferroviária deverá entrar em uma nova etapa ainda este ano. O Governo Federal trabalha para realizar o leilão da nova concessão em 2026, antecipando o fim do contrato da atual operadora, a Rumo, que vence em fevereiro de 2027. A expectativa é de que o novo modelo atraia investidores e permita a retomada dos investimentos na infraestrutura ferroviária do Rio Grande do Sul.
A informação foi confirmada pelo ministro dos Transportes, George Santoro, que afirmou que o projeto já desperta interesse de grupos brasileiros e estrangeiros. Segundo ele, a proposta prevê a divisão da malha em três lotes distintos, sendo que dois deles abrangem trechos que passam por Santa Maria e pela região de Cruz Alta, considerada um dos principais entroncamentos ferroviários do Estado.
A discussão sobre a nova concessão ocorre em um momento em que parte da malha ferroviária gaúcha ainda enfrenta as consequências das enchentes registradas em maio de 2024. Atualmente, apenas o corredor entre Cruz Alta, Santa Maria, Cacequi e Rio Grande permanece em operação, enquanto outros importantes trechos seguem interditados aguardando recuperação.
Para o Governo Federal, o novo contrato deverá garantir não apenas a continuidade da operação ferroviária, mas também a modernização da infraestrutura e a ampliação da capacidade de transporte de cargas. A proposta busca integrar novamente o Rio Grande do Sul à malha ferroviária nacional, fortalecendo a competitividade do Estado, principalmente nos setores do agronegócio e da indústria.
O Ministério dos Transportes também trabalha para atrair investidores ao projeto. Conforme o ministro George Santoro, a equipe técnica realizou uma série de apresentações para empresas e fundos de investimento, tanto no Brasil quanto no exterior, incluindo uma missão recente à China. A avaliação é de que existe interesse pelos três lotes que serão ofertados na futura concessão.
Enquanto o processo avança, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mantém aberta a consulta pública sobre o projeto. As contribuições poderão ser enviadas até o dia 10 de agosto. Além disso, audiências públicas serão realizadas em Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis para discutir o modelo proposto e colher sugestões da sociedade e do setor produtivo.
Entre os diferenciais da nova concessão está a previsão de investimentos cruzados. Na prática, parte da receita obtida em trechos com maior movimentação será utilizada para financiar a recuperação de linhas menos rentáveis, permitindo que regiões afetadas pelas enchentes também recebam investimentos e retomem suas operações.
Para Cruz Alta, a nova concessão representa uma oportunidade importante. Além de fortalecer um corredor logístico fundamental para o transporte da produção agrícola, a modernização da ferrovia poderá ampliar a capacidade de escoamento da safra, reduzir custos operacionais e aumentar a atratividade da região para novos empreendimentos industriais e logísticos.
Caso o processo licitatório não seja concluído antes do encerramento do contrato vigente, o Governo Federal estuda uma prorrogação temporária da atual concessão, assegurando que a operação ferroviária continue funcionando até a definição da nova empresa responsável pela Malha Sul.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
