O governo federal deu início ao processo para uma nova concessão da Malha Sul, um dos principais sistemas ferroviários de carga do país, com previsão de investimentos que podem ultrapassar R$ 53 bilhões ao longo dos próximos 30 anos. A medida ganhou um novo passo após a aprovação, pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, da abertura de audiência pública para discutir o futuro contrato de concessão da ferrovia.
Atualmente operada pela Rumo Malha Sul S.A., cuja concessão termina em 2027, a Malha Sul possui 4.248 quilômetros de extensão e conecta os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O sistema foi dividido em três corredores que serão leiloados separadamente, mas dentro de um único certame.
Segundo a ANTT, o projeto prevê investimentos de R$ 14,4 bilhões em infraestrutura ferroviária (CAPEX) e outros R$ 38,6 bilhões em custos operacionais (OPEX) durante o período de concessão. A agência informou que os documentos do projeto estarão disponíveis a partir de 8 de junho, enquanto o prazo para envio de contribuições pela sociedade ocorrerá entre 15 de junho e 10 de agosto de 2026.
Entre os trechos previstos está o Corredor Rio Grande, que possui 880 quilômetros de extensão e conecta Cruz Alta a Cacequi, com um ramal até Santiago, seguindo posteriormente até o Porto de Rio Grande. O corredor responde por cerca de 16,6% da movimentação total da Malha Sul e tem forte participação no transporte de grãos, fertilizantes e combustíveis.
O maior segmento da malha é o Corredor Paraná-Santa Catarina, com 1.502 quilômetros, responsável por aproximadamente 78% da carga transportada no sistema. Já o Corredor Mercosul possui 1.865 quilômetros e liga importantes centros produtivos do Sul e Sudeste, passando por cidades como Passo Fundo, Porto Alegre, Santa Maria, Cacequi e Uruguaiana, na fronteira com a Argentina.
A nova concessão integra um amplo plano do governo federal para ampliar a participação da iniciativa privada no setor ferroviário. De acordo com o ministro dos Transportes, George Santoro, a meta é realizar oito leilões de ferrovias de carga ainda neste ano. O primeiro projeto previsto para ir a leilão é o Anel Ferroviário Sudeste, também conhecido como EF-118, com cerca de 571 quilômetros de extensão.
A expectativa do governo é que a modernização da Malha Sul aumente a eficiência logística, reduza custos de transporte e fortaleça o escoamento da produção agrícola e industrial da Região Sul, beneficiando diretamente municípios estratégicos como Cruz Alta, importante polo do agronegócio gaúcho.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
