O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana sob forte pressão, com expressivas perdas na Bolsa de Valores e valorização do dólar. O movimento foi influenciado pela reação dos investidores ao resultado das eleições, pelas incertezas em relação à política econômica e fiscal do país e pelo cenário internacional desfavorável.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, terminou a sessão em queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos. Na semana, o indicador acumulou desvalorização de 18,12%, a maior desde março de 2020, quando havia recuado 18,88%. No acumulado de outubro, a queda chegou a 9,88%, enquanto o ganho registrado no ano foi reduzido para 4,22%. O volume financeiro movimentado na sessão foi de R$ 31 bilhões.
Segundo analistas do mercado financeiro, a desvalorização foi impulsionada pela revisão das expectativas dos investidores após o resultado eleitoral, especialmente em relação aos rumos da política econômica e ao controle das contas públicas. A desmontagem de posições de investidores que apostavam em um resultado diferente nas eleições também contribuiu para a saída de recursos do mercado brasileiro.
Além das incertezas internas, o cenário internacional ampliou a cautela. A alta do petróleo, as preocupações com a inflação global, os juros e o desempenho de grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos reduziram o apetite dos investidores por ativos de maior risco.
Dólar registra maior alta semanal desde 2008
No mercado cambial, o dólar encerrou a semana com valorização de 9,04%, registrando o maior avanço semanal desde outubro de 2008, período marcado pela crise financeira internacional. Somente na segunda-feira (26), a moeda norte-americana avançou 8,12%. Em outubro, a alta acumulada foi de 5,20%, enquanto no ano a valorização chegou a 0,81%.
Especialistas apontam que a valorização da moeda norte-americana está relacionada, principalmente, à mudança de posicionamento dos investidores após as eleições e às dúvidas sobre a condução da política fiscal brasileira a partir de 2027.
A indefinição sobre o futuro comando do Ministério da Fazenda e os sinais considerados contraditórios sobre possíveis medidas de ajuste das contas públicas também contribuíram para manter os investidores em posição defensiva.
Perspectivas para novembro
Para os próximos dias, a avaliação de especialistas é de que o mercado deverá continuar atento às decisões econômicas e aos sinais do governo sobre o controle das despesas públicas.
Empresas mais endividadas e setores dependentes de juros menores podem continuar enfrentando dificuldades caso as taxas permaneçam elevadas. Nesse cenário, analistas apontam que investidores tendem a buscar maior exposição a empresas com fundamentos sólidos, receitas previsíveis e menor vulnerabilidade às oscilações econômicas.
A manutenção da confiança dos investidores e a apresentação de medidas consistentes para o equilíbrio fiscal são apontadas como fatores importantes para uma possível estabilização dos mercados brasileiros.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
