O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF) e de Leandro Almada da Costa ao cargo de diretor de Inteligência Policial da corporação. A decisão foi tomada em um processo que tramita sob sigilo.
Os dois haviam sido afastados na terça-feira (8) por decisão liminar do ministro André Mendonça. Ao determinar o retorno aos cargos, Dino advertiu que eventual resistência ao cumprimento da ordem poderá resultar nas consequências previstas na legislação e destacou que a decisão está submetida à autoridade do plenário do STF.
Dino também determinou que não sejam impostas novas medidas cautelares contra Rodrigues e Costa com fundamento exclusivo em atos praticados no exercício regular de suas funções e em cumprimento a determinações judiciais. Eventuais apurações disciplinares, quando cabíveis, deverão observar o devido processo legal e as regras de competência.
Andrei Rodrigues, de 55 anos, é delegado da Polícia Federal há mais de duas décadas. Ele foi chefe da segurança da ex-presidente Dilma Rousseff e assumiu a direção-geral da PF em janeiro de 2023, no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O afastamento determinado por Mendonça havia sido analisado às pressas pela 2ª Turma do STF, em julgamento virtual. Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux votaram pelo afastamento temporário de Rodrigues, enquanto Gilmar Mendes pediu vista, adiando a conclusão da análise.
A decisão provocou surpresa na cúpula da Polícia Federal. Rodrigues chegou a desistir de participar de um evento da corporação, sendo substituído pelo diretor-executivo William Murad. Durante o encontro, Murad defendeu o trabalho da PF e afirmou que o diretor-geral contava com a confiança da equipe.
Relatórios de inteligência estão no centro da disputa
O afastamento determinado por André Mendonça teve como fundamento a suposta gravidade na produção de relatórios de inteligência pela Polícia Federal.
O caso ganhou repercussão após Mendonça retirar o sigilo de documentos da PF relacionados ao chamado caso Master. Os relatórios apresentariam supostas mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Entre as mensagens, Vorcaro teria mencionado pedidos de intervenção junto a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Segundo Mendonça, Rodrigues teria encaminhado a Moraes ao menos seis relatórios de inteligência produzidos de forma sigilosa entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026.
Rodrigues, por sua vez, já havia afirmado que a Polícia Federal atua de maneira isenta e que não houve direcionamento de qualquer atuação da instituição.
A disputa envolvendo os ministros aumentou a tensão institucional dentro do STF. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, aguarda explicações de Mendonça e Moraes antes de decidir sobre a possibilidade de levar o conflito para análise do plenário.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
