Um pai de santo e a esposa dele serão julgados pelo Tribunal do Júri pelos assassinatos de uma jovem de 18 anos, do filho dela, um bebê de apenas dois meses, e de um adolescente de 16 anos, amigo da vítima. Os crimes ocorreram em julho de 2025, em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o casal atraiu as vítimas para uma área isolada do município sob o pretexto de participação em uma cerimônia religiosa. A jovem e o adolescente foram assassinados com golpes de faca. O bebê morreu em decorrência de traumatismo cranioencefálico. Após os crimes, os corpos foram ocultados em uma área de mata às margens do Rio dos Sinos.
Exame de DNA confirmou que o pai de santo era o pai biológico do bebê. Conforme o promotor de Justiça Rodrigo Mendonça, os crimes teriam sido cometidos para esconder a paternidade e impedir que a relação extraconjugal comprometesse a imagem do casal, que era considerado referência na comunidade religiosa.
Ainda de acordo com o MPRS, o adolescente também foi assassinado porque os acusados acreditavam que ele tinha conhecimento de que o homem havia se aproveitado da condição de pai de santo para enganar a jovem. Conforme a acusação, ele teria afirmado que as relações sexuais mantidas com a vítima faziam parte do contexto religioso. O assassinato do adolescente teria como objetivo garantir a ocultação e a impunidade dos crimes.
O casal responderá por feminicídio quintuplamente majorado, dois homicídios quadruplamente qualificados, ocultação de cadáver, corrupção de menores e outros crimes conexos. O homem também responderá por violação sexual mediante fraude.
Os dois acusados estão presos preventivamente. A data do julgamento pelo Tribunal do Júri ainda não foi definida.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
