As fortes chuvas registradas nas últimas semanas no Rio Grande do Sul elevaram o risco sanitário para as lavouras de trigo e acenderam um alerta para os produtores. Além de favorecer o desenvolvimento da cultura, a combinação entre temperaturas mais elevadas e excesso de umidade cria um ambiente propício para a proliferação de doenças, o que pode comprometer a produtividade e a qualidade dos grãos.
Levantamentos climáticos apontam que algumas regiões gaúchas acumularam mais de 160 milímetros de chuva nos últimos dez dias. Desde o início de julho, o volume de precipitação no estado atingiu o maior patamar da última década e a previsão indica que as chuvas devem continuar até o fim do mês.
O comportamento das temperaturas também mudou de forma significativa. Após uma primeira quinzena de julho marcada por frio intenso e geadas, com temperaturas até 5°C abaixo da média, a última semana registrou aquecimento expressivo, com marcas de até 7°C acima da normalidade. O cenário reduz o risco de novas geadas, mas favorece o avanço de doenças fúngicas nas lavouras devido à alta umidade.
Apesar da preocupação, os indicadores de desenvolvimento das lavouras ainda mostram condições favoráveis para o trigo no Rio Grande do Sul, com desempenho superior ao registrado no mesmo período da safra anterior. No entanto, a manutenção das chuvas durante as fases finais do ciclo da cultura poderá afetar o potencial produtivo e a qualidade dos grãos, repetindo problemas observados em anos anteriores.
No Paraná, a maior parte das áreas produtoras segue com boas condições de umidade para o desenvolvimento do trigo. A exceção é a região norte do estado, onde os volumes de chuva foram menores e há risco de redução da umidade do solo caso a estiagem persista nas próximas semanas.
As chuvas também impactaram a colheita da cana-de-açúcar no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Depois de cerca de 20 dias de tempo seco, a volta das precipitações reduziu o ritmo das operações de campo e chegou a interromper temporariamente a colheita em algumas áreas. Ainda assim, a expectativa é de normalização dos trabalhos nos próximos dias.
As previsões meteorológicas indicam a continuidade da instabilidade na Região Sul. Os principais modelos climáticos projetam novos acumulados superiores a 100 milímetros em áreas do Rio Grande do Sul, além de temperaturas acima da média. Embora as condições mantenham boa disponibilidade hídrica para as lavouras, o excesso de umidade seguirá elevando o risco de doenças nas plantações de trigo.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Agro em campo
