O Rio Grande do Sul tem 70% de probabilidade de registrar precipitações acima da Normalidade Climática entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. A previsão consta no consenso do International Research Institute for Climate and Society (IRI) e aponta para um trimestre de atenção redobrada, especialmente diante dos efeitos do El Niño sobre o regime de chuvas no Estado.
A análise foi apresentada nesta quinta-feira (29) pela meteorologista Jossana Ceolin Cera, consultora técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em artigo publicado no site da autarquia. O modelo climático CFSv2, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), também indica precipitações acima da normalidade em todas as regiões gaúchas durante o período.
Já a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta para volumes de chuva superiores à média em novembro, com destaque para o Norte e o Noroeste do Estado, onde os acumulados podem ultrapassar 300 milímetros.
As condições previstas também exigem atenção na Metade Sul, já que os volumes de chuva registrados nas regiões Norte e Noroeste podem influenciar os níveis de rios como o Uruguai e o Jacuí. Para dezembro e janeiro, o modelo do Inmet indica acumulados mais próximos da normalidade climática.
A análise de um conjunto mais amplo de modelos meteorológicos aponta para uma tendência de chuvas acima da média ao longo dos três meses, com maior destaque para o Norte em novembro, o Noroeste em dezembro e o Oeste em janeiro.
Efeitos do El Niño e impactos na agricultura
Com o El Niño declarado pela NOAA, os efeitos do fenômeno sobre a frequência e o volume das precipitações já estão sendo observados. Segundo Jossana, os principais impactos ocorrem durante a primavera do primeiro ano do fenômeno, em 2026, e voltam a ganhar relevância no outono de 2027.
Além do aumento das chuvas, anos de El Niño costumam apresentar maior nebulosidade, redução da radiação solar e diminuição da temperatura média do ar, sem necessariamente provocar extremos térmicos.
No setor agrícola, o cenário exige planejamento dos produtores, especialmente nas culturas de arroz irrigado, soja e milho. A recomendação é aproveitar os períodos de tempo seco para realizar a semeadura dentro das janelas indicadas para cada cultura, evitando atrasos que possam comprometer a produtividade e dificultar a colheita.
Em áreas mais baixas, o manejo adequado da drenagem é considerado fundamental para reduzir os impactos do excesso de água. Também é necessário redobrar a atenção em regiões próximas a rios, onde o risco de enchentes pode aumentar.
Outro ponto de preocupação é a brusone, uma das principais doenças fúngicas do arroz. As condições de elevada umidade, nebulosidade e molhamento foliar, que podem ocorrer com maior frequência durante o El Niño, favorecem o desenvolvimento da doença. Entre as medidas preventivas estão a escolha de cultivares mais resistentes e a adoção de práticas adequadas de manejo.
Apesar da tendência de chuvas acima da média, a meteorologista alerta que o fenômeno não elimina a possibilidade de períodos de estiagem. Mesmo durante a primavera e o verão sob influência do El Niño, podem ocorrer intervalos de 10 a 15 dias sem precipitação, com possíveis prejuízos às lavouras de soja e outras culturas de sequeiro.
A orientação aos produtores é acompanhar continuamente as previsões meteorológicas de curto prazo, para os próximos sete a 15 dias, e as atualizações da previsão climática. O monitoramento permite ajustar as atividades no campo, reduzir riscos e melhorar o planejamento diante das condições esperadas para os próximos meses.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
Foto: Vanessa Almeida de Moraes/Emater/RS-Ascar
