O plantio de milho no Rio Grande do Sul alcançou 78% da área prevista para a safra, mas segue em ritmo desigual entre as regiões, condicionado pelas temperaturas amenas, pelo excesso de umidade no solo e pela baixa incidência de radiação solar. Os dados foram divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural.
A estimativa estadual é de 896.401 hectares destinados à cultura, com produtividade projetada de 7.711 quilos por hectare. Apesar do avanço da semeadura, as condições climáticas continuam limitando o desenvolvimento das plantas em determinadas regiões.
Entre as lavouras já implantadas, 98% estão em desenvolvimento vegetativo, enquanto 2% ingressaram na fase reprodutiva, com floração. Em parte do estado, a melhora temporária da disponibilidade de radiação solar favoreceu o crescimento das plantas, que apresentam folhas verde-escuras, colmos espessos, bom enraizamento e resposta positiva à adubação nitrogenada.
Entretanto, a persistência da nebulosidade e as temperaturas mais baixas retardam o desenvolvimento, principalmente nas áreas semeadas mais cedo. O excesso de umidade também dificulta o avanço dos trabalhos em algumas regiões.
Outro fator de preocupação são os temporais com granizo registrados no final de setembro. Em determinadas lavouras, os danos foliares e as falhas de estande comprometeram irreversivelmente o potencial produtivo. Nas áreas menos atingidas, a recuperação tem sido satisfatória, conforme o acompanhamento da Emater/RS-Ascar.
O manejo fitossanitário permanece concentrado no controle de cigarrinhas, percevejos e doenças fúngicas. Em diversas áreas monitoradas, a incidência de cigarrinhas continua baixa.
O avanço do plantio varia significativamente entre as regiões gaúchas. Frederico Westphalen registra aproximadamente 95% da área semeada, enquanto Ijuí alcança 92%. Em Passo Fundo e Santa Rosa, o índice chega a 90%.
Na região de Soledade, a semeadura atingiu 63% da área prevista. Já em Pelotas, apenas 9% da área projetada foi plantada, com crescimento lento das lavouras em razão das temperaturas mais baixas.
Na região de Bagé, os trabalhos avançam em direção ao leste da Campanha e aos municípios próximos da Fronteira Oeste, mas o desenvolvimento das plantas continua limitado pelo frio e pela baixa luminosidade. Em Caxias do Sul, a elevada umidade do solo dificulta o avanço da semeadura.
A continuidade do plantio e o desempenho das lavouras dependerão das condições de temperatura, luminosidade e umidade nas próximas semanas. Embora diversas regiões apresentem bom vigor das plantas e avanço significativo da semeadura, os danos provocados pelos temporais e as limitações climáticas permanecem como fatores de atenção para a safra gaúcha.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
