Por: Márcio Ücker – Produtor rural e especialista em gestão de negócios
Renovação do subsídio de R$ 2,12 por litro por mais 30 dias traz alívio temporário ao campo. Retirada do benefício pode elevar os custos de produção, pressionar o frete e encarecer os alimentos para o consumidor.
O agronegócio brasileiro ganha um fôlego importante com a renovação, por mais 30 dias, do subsídio de R$ 2,12 por litro de diesel. A medida chega em um momento decisivo para o campo, com máquinas trabalhando na colheita e tratores avançando no plantio das culturas de verão.
O diesel é um dos principais insumos da produção agrícola. Está presente em praticamente todas as etapas, do preparo do solo à semeadura, da colheita ao transporte dos grãos. Por isso, qualquer aumento significativo no preço do combustível repercute diretamente nos custos de produção.
Mas o impacto não fica restrito ao produtor rural. Chega também à mesa do consumidor.
Caso a retirada do subsídio provoque uma elevação no preço do diesel, os custos operacionais e de transporte poderão aumentar, pressionando os preços dos alimentos e contribuindo para novas altas nas prateleiras dos supermercados.
No Rio Grande do Sul, a preocupação ganha força durante a implantação das lavouras de verão, quando o produtor precisa aproveitar as janelas de plantio e administrar margens cada vez mais apertadas.
A renovação do benefício representa um alívio, mas a duração de apenas 30 dias mantém uma questão importante em aberto: o que acontecerá depois desse prazo?
O agronegócio precisa de previsibilidade para produzir, colher e abastecer o mercado. Afinal, o diesel movimenta as máquinas no campo, mas seus custos podem repercutir em toda a cadeia alimentar, do produtor ao consumidor final.
