O mercado financeiro brasileiro registrou forte volatilidade na segunda-feira (26), após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento contrariou as expectativas de parte dos investidores, que apostavam na vitória do candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, e esperavam mudanças na condução da política econômica.
A reação foi marcada pela revisão das expectativas dos investidores em relação à política fiscal, aos gastos públicos e à trajetória dos juros. A mudança nas perspectivas levou a uma reavaliação dos riscos associados aos ativos brasileiros, com impactos sobre a Bolsa de Valores, o câmbio e o mercado de títulos públicos.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, chegou a registrar queda superior a 17% durante o pregão, acionando o mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações. Ao final do dia, o índice acumulava desvalorização superior a 13%, conforme os números apresentados no levantamento.
A turbulência também provocou uma redução expressiva no valor de mercado das empresas listadas na B3. As estimativas apontaram perdas de aproximadamente R$ 835,2 bilhões em uma única sessão.
No mercado cambial, o dólar avançou 8,21%, encerrando o dia cotado a R$ 5,403, após atingir R$ 5,60 durante as negociações. Já os contratos de juros futuros de longo prazo registraram forte alta, com taxas que chegaram à faixa de 15,1% a 15,9% nos vencimentos citados no levantamento.
Diante da instabilidade no mercado de renda fixa, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados programados para a semana.
Entre os setores mais afetados estiveram o varejo, o consumo e o mercado imobiliário, pressionados pela perspectiva de juros elevados por mais tempo e pelo encarecimento do crédito. Empresas como Magazine Luiza e C&A registraram quedas expressivas, enquanto o índice imobiliário recuou 28,63%. A Petrobras também apresentou desvalorização superior a 11%.
Na direção contrária, empresas exportadoras tiveram desempenho positivo, beneficiadas pela valorização do dólar. Suzano, Vale, WEG e Embraer estiveram entre os destaques de alta mencionados no levantamento.
Preocupação fiscal está entre os principais fatores
A reação do mercado foi associada principalmente à frustração das expectativas eleitorais de parte dos investidores e às incertezas sobre a política econômica do governo reeleito. Nas semanas anteriores, operações financeiras haviam sido montadas com base na expectativa de mudanças na condução fiscal e de possíveis cortes na taxa básica de juros.
Com o resultado eleitoral, investidores passaram a reavaliar essas posições. Outro fator de preocupação é a trajetória das contas públicas, especialmente em relação ao controle dos gastos, ao cumprimento das metas fiscais e à evolução da dívida pública.
Analistas também apontam o risco de que uma alta persistente do dólar pressione os preços de produtos e insumos importados, dificultando o controle da inflação. Nesse cenário, o Banco Central poderia enfrentar maior dificuldade para reduzir os juros, o que encareceria o crédito para empresas e consumidores.
A expectativa é de que a volatilidade continue nos próximos dias, enquanto investidores aguardam sinalizações do presidente reeleito e de sua equipe econômica sobre as medidas fiscais, o controle das despesas e as prioridades para o próximo mandato.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
