Consumidores que adquiriram produtos da marca Ypê incluídos na suspensão determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária já podem solicitar reembolso diretamente pelos canais oficiais da empresa. A medida envolve determinados lotes de lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes atingidos pela restrição sanitária mantida pela agência reguladora.
Em comunicado divulgado após a decisão da Anvisa, a fabricante informou que disponibilizou um sistema específico para o registro de pedidos relacionados aos produtos afetados. Segundo a empresa, os consumidores devem abrir um protocolo de atendimento para receber orientações sobre troca, devolução de valores ou demais procedimentos necessários.
Para realizar o cadastro, o consumidor precisa informar dados pessoais, como CPF, endereço de e-mail e chave Pix, utilizada para o reembolso dos valores. A empresa destacou ainda que o envio da nota fiscal ou cupom de compra não será obrigatório para abertura da solicitação. Após o preenchimento do formulário, o sistema gera automaticamente um código de acompanhamento do pedido.
A orientação da fabricante ocorre após a diretoria colegiada da Anvisa decidir, nesta sexta-feira (15), manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos atingidos pela medida sanitária.
A decisão derrubou os efeitos do recurso administrativo apresentado pela Ypê no último dia 8 de maio. Na ocasião, a empresa havia conseguido suspender temporariamente os efeitos da proibição enquanto o recurso era analisado pela agência reguladora.
Mesmo durante o período de suspensão temporária da medida, a Anvisa continuou orientando consumidores a não utilizarem os produtos envolvidos até a conclusão da análise sanitária, além de recomendar contato direto com os canais de atendimento da empresa.
A suspensão dos produtos teve origem após uma inspeção conjunta realizada pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e pela Vigilância Sanitária Municipal de Amparo, cidade do interior paulista onde está localizada a Química Amparo.
Segundo a agência reguladora, durante a fiscalização foram identificadas 76 irregularidades no processo produtivo da empresa. Entre os principais problemas apontados estão falhas no sistema de garantia da qualidade, inconsistências nos controles sanitários e problemas no monitoramento microbiológico dos produtos fabricados.
Ainda conforme a Anvisa, análises identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos. A bactéria pode representar risco à saúde, especialmente para pessoas com baixa imunidade, além de indicar falhas importantes no controle de qualidade industrial.
A agência informou que continuará acompanhando as medidas corretivas adotadas pela empresa e reforçou a recomendação para que consumidores verifiquem se os produtos adquiridos fazem parte dos lotes atingidos pela suspensão.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
