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    Início » Condenado a 42 anos de prisão por tortura e estupro de funcionário em Farroupilha, dono de haras terá pena cumprida em regime fechado
    Justiça

    Condenado a 42 anos de prisão por tortura e estupro de funcionário em Farroupilha, dono de haras terá pena cumprida em regime fechado

    Fernando KopperFernando Kopper29 de junho de 202503 Mins Read9
    O promotor de Justiça Ronaldo Lara Resende classificou como “correta e justa” a sentença que condenou Ari Glock Júnior a 42 anos e 10 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de tortura, estupro, sequestro, roubo e tentativa de homicídio, cometidos contra um funcionário em agosto de 2021, na zona rural de Farroupilha, na Serra Gaúcha. A condenação foi definida pelo juiz Enzo Carlo di Gesu, durante julgamento realizado na última quarta-feira (25).
    A decisão judicial também impôs ao réu o pagamento de indenizações por danos morais no valor de R$ 300 mil e danos materiais de R$ 54 mil, ambas acrescidas de correção monetária e juros. O caso chocou a comunidade pela brutalidade e sequência de agressões sofridas pela vítima, que à época tinha 38 anos e hoje, aos 42, está incapacitada para o trabalho e realiza tratamento psicológico e psiquiátrico pelo SUS.
    — Ele não pode mais fazer flexão de tronco e perdeu o movimento rotacional. Fez cirurgia para ligar cinco segmentos da coluna. Seus pais, pequenos agricultores, tiveram que parar suas atividades para cuidar do filho. A vida dele foi destruída — relatou o promotor.
    Segundo o Ministério Público, o réu, proprietário de um haras, suspeitava que o funcionário havia furtado R$ 20 mil. No dia 9 de agosto de 2021, iniciou uma série de agressões para obter uma confissão. A vítima foi amarrada pelo pescoço e mãos, agredida com coronhadas, choques elétricos, golpes de facão, tiro no pé e ainda foi estuprada. O celular do funcionário foi confiscado pelo agressor.
    Mesmo após ser socorrido e receber alta hospitalar, a vítima foi sequestrada novamente no dia seguinte e sofreu nova sessão de tortura: queimadura na orelha com cigarro, dedos apertados com alicate, agulhas sob as unhas, dentes arrancados, cabelos raspados com máquina de tosquiar e foi forçada a pular de um penhasco. Apesar da queda, sobreviveu e conseguiu pedir socorro. O réu ainda teria ordenado o roubo de pertences pessoais da vítima.
    “Em 25 anos de atuação no tribunal do júri, eu nunca tinha visto algo com tamanha crueldade, premeditação e sequência de atos violentos como nesse caso”, afirmou o promotor Resende.
    Participação de outros envolvidos e recurso da defesa
    Outros três suspeitos, entre eles dois ex-funcionários do condenado, ainda devem ir a julgamento. Segundo o Ministério Público, apenas Ari Glock Júnior esteve presente em todos os momentos das agressões.
    A defesa do réu, representada pelo advogado Jader Marques, informou por nota que já recorreu da decisão:
    “Na condição de defensor de Ari Glock Júnior, informo que já protocolei o recurso de apelação para o Tribunal de Justiça do Estado. Espero, com serenidade e muita confiança, que o julgamento seja anulado, em virtude das inúmeras violações ao devido processo que foram registradas no caso.”
    O caso segue gerando repercussão pela gravidade das denúncias e pela luta da vítima e da família por justiça após mais de dois anos de sofrimento e recuperação.
    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte: GZH
    Fernando Kopper

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