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    Início » CCJ da Câmara dos Deputados deve votar PEC que pode proibir todas as formas de aborto legal no Brasil
    País

    CCJ da Câmara dos Deputados deve votar PEC que pode proibir todas as formas de aborto legal no Brasil

    Fernando KopperFernando Kopper27 de novembro de 202403 Mins Read4
    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira, 27, uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que pode acabar com todas as possibilidades de aborto legal no Brasil. Atualmente, o aborto é permitido em casos específicos: quando há risco de morte para a gestante, em gestação resultante de estupro ou quando o feto apresenta anencefalia, uma malformação cerebral grave.
    A PEC, de autoria do deputado federal cassado Eduardo Cunha (Republicanos-RJ), foi protocolada em 2012 e garante a inviolabilidade do direito à vida “desde a concepção”. Cunha justificou sua proposta, dizendo que “a vida não se inicia com o nascimento e sim com a concepção”.
    Organizações sociais têm se manifestado contra a proposta, argumentando que ela pode ter efeitos além da proibição do aborto, como a restrição de práticas como a fertilização in vitro, que envolve a possibilidade de descarte de embriões. Em 2023, cerca de 110 mil embriões foram descartados nesse procedimento, o que pode ser afetado pela aprovação da PEC.
    O manifesto contra a PEC, assinado por nove organizações, como a Rede Nacional Feminista de Saúde e Católicas pelo Direito de Decidir, aponta que a proposta viola direitos fundamentais, prejudica o planejamento familiar, pode proibir pesquisas com embriões não implantados e reforça desigualdades raciais.
    Em meio ao debate, as divisões entre os opositores e apoiadores da proposta têm se intensificado. Parlamentares da oposição chamam a PEC de “PEC do Estuprador”, argumentando que ela impediria que mulheres vítimas de estupro tivessem acesso ao aborto legal, uma das possibilidades atualmente previstas na legislação brasileira. A deputada Erika Kokay (PT-DF) classificou a proposta como “uma profunda crueldade”, destacando a gravidade para as mulheres vítimas de violência.
    Por outro lado, a relatora da PEC, deputada Chris Tonietto (PL-RJ), rebateu as críticas, afirmando que a oposição “odiar a criança” e busca “aniquilar o futuro da nação”. Ela é uma das principais defensoras do movimento antiaborto no Congresso Nacional. A presidente da CCJ, Caroline de Toni (PL-SC), também defende a PEC e tem intensificado a agenda conservadora à frente da comissão.
    A votação da PEC vem após a tramitação acelerada de um outro projeto que propunha equiparar o aborto após 22 semanas de gestação ao crime de homicídio, com penas severas para as mulheres envolvidas. Apesar de fortes críticas, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), decidiu adiar o avanço dessa proposta, o que mantém a questão do aborto no centro do debate político no país.
    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fernando Kopper

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