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    Início » Excesso de chuva e baixa luminosidade retardam desenvolvimento das lavouras de trigo no RS
    Agronegócio

    Excesso de chuva e baixa luminosidade retardam desenvolvimento das lavouras de trigo no RS

    Fernando KopperFernando Kopper25 de agosto de 202604 Mins Read4

    As lavouras de trigo do Rio Grande do Sul apresentam desenvolvimento regular, mas o excesso de chuvas, a nebulosidade persistente e a baixa radiação solar vêm retardando o crescimento e a evolução das plantas. Conforme dados da Emater/RS-Ascar, a umidade elevada também aumentou a pressão de doenças e reduziu as janelas disponíveis para a aplicação de fungicidas.

    Atualmente, 82% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 14% avançaram para a floração e 4% estão em enchimento de grãos. Os cultivos implantados mais cedo apresentam avanço mais rápido no ciclo, enquanto a maior parte das áreas permanece em fase vegetativa.

    As condições meteorológicas reduziram a taxa de crescimento em parte das lavouras. Em alguns locais, as plantas apresentam menor porte, coloração verde-pálida, amarelecimento das folhas inferiores e colmos mais delgados, características associadas ao menor acúmulo de biomassa.

    A elevada umidade e o prolongado período de molhamento das folhas também aumentaram a ocorrência de doenças, principalmente oídio, manchas foliares e ferrugens. Nas áreas em floração, o excesso de umidade do solo dificultou o trânsito de máquinas e reduziu as oportunidades para a aplicação de fungicidas.

    Apesar das limitações provocadas pelo clima, o potencial produtivo das lavouras permanece, de maneira geral, satisfatório. Para a Safra 2026, a área projetada é de 814.220 hectares, com produtividade média estimada em 2.701 quilos por hectare.

    Na região de Bagé, na Fronteira Oeste, o excesso de umidade prejudicou o desenvolvimento das plantas, com ocorrência de amarelecimento e sinais associados à baixa aeração das raízes. As aplicações de fungicidas ficaram concentradas nas poucas janelas de tempo firme.

    Em Caxias do Sul, a combinação entre baixa luminosidade e elevada precipitação retardou o desenvolvimento, mantendo a maior parte das lavouras em perfilhamento. Os produtores realizam adubação nitrogenada e controle de plantas invasoras.

    Na região de Frederico Westphalen, 70% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 15% em florescimento e 15% em enchimento de grãos. A nebulosidade persistente e a baixa radiação solar limitaram o desenvolvimento, enquanto o excesso de umidade restringiu as operações mecanizadas.

    Em Ijuí, 95% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e 5% em floração. Foram observadas plantas com coloração verde-pálida, amarelecimento em áreas mais úmidas, maior altura, colmos finos e folhas estreitas. Também houve aumento na incidência de oídio e manchas foliares. Nas áreas em floração, foram identificados sintomas de mal-do-pé e morte de plantas.

    Em Passo Fundo, todos os cultivos estão em afilhamento e a adubação nitrogenada em cobertura já foi concluída. Na região de Pelotas, 96% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e 4% no início do florescimento. As chuvas intensas não provocaram danos diretos significativos, mas vêm retardando o desenvolvimento das plantas.

    Na região de Santa Rosa, 73% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 23% em floração e 4% em enchimento de grãos. Nos cultivos em florescimento, a combinação de temperaturas entre 20°C e 25°C com molhamento prolongado aumenta as condições favoráveis à ocorrência de giberela. Nas áreas em espigamento, temperaturas mais elevadas, nebulosidade e alta umidade ampliam o risco de brusone.

    Em Soledade, o excesso de chuva restringiu o manejo fitossanitário e favoreceu a ocorrência de doenças fúngicas, principalmente manchas foliares e ferrugens. Parte das áreas em espigamento recebeu tratamento preventivo para giberela. A situação geral das lavouras permanece satisfatória, com 30% das áreas em perfilhamento, 55% em elongação do colmo e 15% em espigamento.

    O excesso de água no solo permanece como um dos principais obstáculos às operações nas lavouras de trigo. Em diferentes regiões, a dificuldade para o trânsito de máquinas reduziu as janelas disponíveis para aplicações fitossanitárias, especialmente nas áreas que já avançaram para a floração.

    Mesmo com as restrições provocadas pelas condições meteorológicas, os dados da Emater/RS-Ascar indicam que, de maneira geral, as lavouras mantêm condição satisfatória e seguem avançando no ciclo, embora em ritmo inferior ao esperado em algumas regiões.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte: Agrolink

    Fernando Kopper

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