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    Início » Câmara aprova projeto que cria pena de prisão para aumento abusivo no preço dos combustíveis
    País

    Câmara aprova projeto que cria pena de prisão para aumento abusivo no preço dos combustíveis

    Fernando KopperFernando Kopper21 de maio de 202603 Mins Read4

    A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que cria um crime específico contra as relações de consumo para punir o aumento abusivo nos preços dos combustíveis. A proposta agora segue para análise do Senado Federal.

    O texto aprovado é o Projeto de Lei 1625/26, de autoria do Poder Executivo, relatado pelo deputado Merlong Solano. A matéria prevê pena de detenção de dois a quatro anos, além de multa, para quem elevar artificialmente e sem justa causa os preços dos combustíveis com o objetivo de obter vantagem econômica indevida.

    Segundo o projeto, será considerado aumento sem justa causa aquele dissociado de fundamentos econômicos verificáveis, como custos de produção, distribuição, importação, logística, tributação, comercialização e fatores regulatórios.

    O texto também estabelece que a prática deve estar associada a condutas anticoncorrenciais previstas na Lei de Defesa da Concorrência, incluindo ações que prejudiquem a livre concorrência, aumentem arbitrariamente os lucros ou representem abuso de posição dominante no mercado.

    Durante a tramitação, o relator retirou do texto a faixa de aplicação da multa, que inicialmente variava entre 1/30 e cinco vezes o salário mínimo.

    A proposta prevê aumento de pena entre um terço e metade caso a prática ocorra em situações de calamidade pública ou crise de abastecimento. A punição também será maior quando o responsável possuir posição dominante no mercado, condição caracterizada quando uma empresa controla pelo menos 20% do setor relevante ou consegue influenciar diretamente as condições de mercado.

    Para investigação do novo crime, o Ministério Público deverá atuar em cooperação com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, responsável por fornecer apoio técnico na análise das infrações econômicas.

    Ao defender a proposta, Merlong Solano afirmou que o projeto preserva a formação regular de preços, mas permite punir práticas consideradas abusivas e oportunistas, especialmente em períodos de instabilidade econômica e vulnerabilidade social.

    O deputado destacou ainda que o Brasil possui menor dependência de combustíveis importados em comparação a outros países, argumentando que não haveria necessidade de reajustes tão rápidos nos preços internos.

    Já o deputado Lafayette de Andrada criticou a proposta e afirmou que a legislação atual já possui mecanismos para punir irregularidades. Segundo ele, o projeto pode ampliar a criminalização de donos de postos de combustíveis.

    Lafayette também acusou o governo federal de utilizar a proposta para pressionar distribuidoras de combustíveis em meio às oscilações do mercado internacional.

    Por outro lado, o deputado Bohn Gass afirmou que o texto não impede reajustes, mas busca punir aumentos considerados criminosos e abusivos contra os consumidores.

    A votação de uma alteração no texto chegou a terminar empatada durante a sessão, mas precisou ser refeita após o voto do deputado Joaquim Passarinho, que presidia os trabalhos, ter sido contabilizado indevidamente. Como presidentes de sessão só votam em caso de desempate, a votação foi repetida e a mudança acabou rejeitada por quatro votos de diferença.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte: Correio do Povo

    Fernando Kopper

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