A recuperação do preço do arroz em casca tem sido positiva para os produtores rurais, mas não representa, necessariamente, melhora imediata para toda a cadeia produtiva. Segundo especialistas, a valorização do cereal pode gerar prejuízos para a indústria quando há diferença entre o valor utilizado nas vendas e o custo necessário para recompor os estoques.
De acordo com o analista da cadeia orizícola Sergio Cardoso, um dos períodos mais desafiadores para as empresas ocorreu quando o arroz beneficiado foi comercializado com base em uma matéria-prima cotada abaixo de R$ 50 por saco. Em diversos negócios acompanhados, os preços CIF praticados junto aos clientes correspondiam a um arroz em casca estimado em cerca de R$ 45 por saco.
O problema ocorre porque o recebimento das vendas não é imediato. Entre a negociação, a entrega do produto e o pagamento, os prazos podem variar de 30 a 60 dias. Assim, muitas indústrias estão recebendo agora por mercadorias vendidas com base em um custo de R$ 45 por saco, enquanto precisam retornar ao mercado para adquirir nova matéria-prima por valores superiores a R$ 60 por saco.
Essa diferença compromete as margens de lucro e aumenta a pressão sobre o capital de giro das empresas. Mesmo diante da recuperação das cotações no campo, indústrias que realizaram vendas antecipadas sem prever a alta dos preços podem registrar prejuízos e enfrentar dificuldades para financiar novas compras.
O cenário evidencia um dos principais desafios da cadeia orizícola brasileira: o descompasso entre a compra da matéria-prima e o repasse dos custos ao mercado. Dessa forma, a valorização do arroz em casca pode coexistir com dificuldades financeiras no setor industrial, demonstrando que a análise do mercado deve considerar não apenas a cotação do produto, mas também os prazos comerciais e a velocidade de recomposição dos estoques.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Agrolink
