Durante as gravações da série Lendas Urbanas de Cruz Alta, realizadas nas últimas três semanas pelo Notícias RS, o jornalista Fernando Kopper fez uma descoberta que resgata parte da história da educação cruz-altense. Em meio às antigas sepulturas do Cemitério Bom Jesus, o jornalista localizou o túmulo da professora Margarida Pardelhas, educadora que dá nome a uma das mais tradicionais escolas do município.
O jazigo, situado logo na entrada do cemitério, no lado direito, permanece praticamente escondido entre túmulos históricos. O monumento apresenta sinais da ação do tempo, com inscrições desgastadas e necessitando de restauração, o que faz com que passe despercebido por grande parte da população. Muitos moradores sequer conhecem o rosto ou a trajetória da professora que deixou um legado marcante para a educação de Cruz Alta.
Natural de Porto Alegre, Margarida Pardelhas nasceu em 4 de maio de 1886. Filha de José Pardelhas e Simpliciana Pardelhas, ingressou no magistério após aprovação em concurso público no ano de 1904, sendo nomeada para atuar na 2ª Classe Complementar, Seção Feminina do Colégio Distrital de Cruz Alta. Com a reorganização da rede de ensino, assumiu posteriormente a 6ª Aula Mista da 2ª Entrância do município.
Em 14 de maio de 1914, foi designada para atuar no então Colégio Elementar de Cruz Alta, acumulando também a função de diretora. Ao completar 30 anos de magistério, em 1934, transferiu-se para Porto Alegre, onde fundou a Escola Primeiro de Maio, atualmente Escola Diogo de Souza. Mais tarde dirigiu a Escola Normal Assis Brasil, em Pelotas, retornando a Cruz Alta em 1939 para assumir a recém-criada 9ª Delegacia Regional de Educação.
Margarida Pardelhas faleceu em Cruz Alta no dia 7 de julho de 1946, sendo sepultada no Cemitério Bom Jesus, onde seu túmulo permanece até hoje.
Além da importante atuação na formação de gerações de estudantes cruz-altenses, Margarida Pardelhas também marcou a vida de um dos maiores escritores brasileiros. Ela foi professora de Erico Verissimo, que registrou em sua autobiografia Solo de Clarineta a admiração e o respeito que nutria pela educadora.
No livro, o escritor descreve Margarida como uma professora de personalidade firme, voz autoritária e presença marcante, capaz de impor disciplina apenas com sua entrada na sala de aula. Ao mesmo tempo, ressalta seu sorriso acolhedor e a dedicação aos alunos interessados em aprender, afirmando que sempre teve por ela “uma certa afeição tingida de temeroso respeito”.
A instituição que hoje leva seu nome teve origem em 8 de março de 1914, quando foi criada como Colégio Elementar, posteriormente denominado Grupo Escolar Venâncio Ayres. Foi o primeiro colégio público estadual de Cruz Alta e funcionou inicialmente na Rua do Comércio, na esquina onde mais tarde seria construído o Edifício Serrano da Casa Bastos.
Em 1º de março de 1929, a escola passou a ocupar um prédio próprio construído em terreno doado pela Administração Municipal, área onde existia a antiga Praça Júlio de Castilhos. Margarida Pardelhas dirigiu a instituição durante 19 anos e, em reconhecimento à sua contribuição para a educação, a escola recebeu oficialmente seu nome em 1943.
A descoberta do túmulo durante as gravações do quadro Lendas Urbanas de Cruz Alta reacende a importância de preservar a memória de personagens que ajudaram a construir a história do município. O local onde repousa uma das maiores educadoras de Cruz Alta permanece como um símbolo de um legado que atravessa gerações e continua vivo por meio da escola que leva seu nome.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte de pesquisas: Livro Dicionário de Cruz Alta – escritor Rossano Cavalari
