As lavouras de trigo avançam em diferentes estágios no Rio Grande do Sul, favorecidas por períodos de tempo firme, maior radiação solar e reposição da umidade do solo. Segundo dados da Emater/RS-Ascar, apesar das condições favoráveis em boa parte do Estado, ocorrências de geada, granizo e doenças provocam impactos pontuais em algumas regiões.
A área projetada para a safra 2026 é de 814.220 hectares, com produtividade média estimada em 2.701 quilos por hectare. O desenvolvimento das lavouras varia conforme a época de implantação e as condições meteorológicas registradas ao longo do ciclo.
Nas áreas implantadas mais cedo, principalmente no Oeste, 44% das lavouras estão em enchimento de grãos e 5% já alcançaram a maturação. Nas áreas de implantação mais tardia, 12% estão em desenvolvimento vegetativo e 39% em espigamento e floração.
As geadas e o granizo provocaram danos pontuais, cuja intensidade varia conforme o estágio das plantas e as condições de cada localidade. Algumas áreas ainda estão sendo avaliadas para determinar possíveis impactos sobre o potencial produtivo.
No aspecto fitossanitário, foram identificadas ocorrências de oídio, manchas foliares, ferrugens e giberela. O período de floração exige atenção especial, principalmente nas regiões onde as condições de umidade e temperatura favorecem o desenvolvimento de doenças.
Na região de Bagé, na Fronteira Oeste, onde o trigo costuma ser implantado mais cedo, as primeiras lavouras estabelecidas em maio já avançaram para os estágios reprodutivos. Em São Borja, aproximadamente 800 hectares, equivalentes a 5% da área cultivada, estão em maturação. Em Manoel Viana, as áreas mais adiantadas alcançaram o espigamento e a geada registrada não provocou impactos significativos.
Na Campanha, onde o plantio ocorre mais tarde, as lavouras estão entre a elongação do colmo e o início da floração. Em Lavras do Sul, o potencial produtivo inicialmente estimado em 2.367 kg/ha foi comprometido pelo elevado volume de precipitações. Desde o início de junho, o acumulado ultrapassou 700 milímetros no município, com perdas estimadas em 10% até o momento.
Na região de Caxias do Sul, a elevada nebulosidade, a baixa luminosidade e as temperaturas reduzidas retardaram o desenvolvimento das plantas. A maioria das lavouras está no final do perfilhamento ou início da elongação do colmo. Apesar das condições meteorológicas adversas, a expectativa de rendimento permanece satisfatória.
Em Frederico Westphalen, 10% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 35% em florescimento, 50% em enchimento de grãos e 5% em maturação. A incidência de giberela é expressiva e tem levado à intensificação das aplicações de fungicidas.
Na região de Ijuí, 10% da área está em desenvolvimento vegetativo, 48% em floração, 33% em granação e 9% em maturação. Também foram registrados danos pontuais provocados por geada e granizo. A geada deixou sinais de queimadura principalmente em áreas mais baixas do relevo, sem indicação inicial de impactos expressivos. O granizo, por sua vez, provocou lesões em espiguetas, espigas e folhas, especialmente em Três Passos, Ibirubá e Santa Bárbara do Sul. A dimensão das perdas ainda depende da evolução das lavouras.
Em Passo Fundo, 10% das lavouras estão em elongação do colmo, 40% em floração e 50% em enchimento de grãos. A adubação nitrogenada de cobertura foi concluída, enquanto as operações de controle fitossanitário são realizadas conforme as condições ambientais permitem o acesso às áreas.
Na região de Pelotas, 45% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e 55% em florescimento. A sequência de dias nublados, as chuvas frequentes e a baixa radiação solar durante agosto retardaram o desenvolvimento das plantas. A elevada umidade do solo também tem dificultado a realização de tratamentos preventivos contra doenças.
Em Tupanciretã, na região de Santa Maria e município com uma das maiores extensões de cultivo de trigo da região, 20% das lavouras estão em elongação, 60% em floração e 20% em enchimento de grãos. A menor umidade e a reduzida incidência de doenças foliares contribuíram para a manutenção das condições fitossanitárias. Nas áreas mais adiantadas, o frio intenso e as geadas exigem acompanhamento durante a floração.
Na região de Santa Rosa, 4% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 28% em floração, 61% em enchimento de grãos e 7% em maturação. As plantas apresentam bom número de espiguetas por espiga e ausência de falhas de fecundação, mantendo potencial produtivo favorável. O oídio é a doença de maior incidência, seguido por manchas foliares, ferrugem e giberela nas áreas mais avançadas.
Em Soledade, as temperaturas e a radiação solar favoreceram o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. A distribuição das lavouras é de 5% em elongação do colmo, 50% em espigamento e floração e 45% em enchimento de grãos. De maneira geral, as áreas apresentam bom potencial produtivo, embora existam diferenças no nível tecnológico empregado pelos produtores.
Os períodos de tempo firme também permitiram a entrada de máquinas para aplicações de fungicidas, principalmente no controle da giberela, além de oídio, manchas foliares e ferrugens.
O cenário mostra que o trigo gaúcho segue em diferentes ritmos de desenvolvimento, com parte das lavouras avançando para o enchimento de grãos e a maturação, enquanto áreas implantadas mais tarde ainda estão em floração. O acompanhamento das condições meteorológicas e fitossanitárias permanece fundamental diante dos efeitos pontuais de geadas e granizo e da ocorrência de doenças ao longo do ciclo.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
