O leilão do Bloco 2 de rodovias do Rio Grande do Sul foi cancelado após não receber nenhuma proposta de investidores dentro do prazo estabelecido pelo governo estadual. Segundo a Secretaria da Reconstrução Gaúcha, nenhum grupo apresentou envelopes até o meio-dia desta quarta-feira (3), prazo limite para participação na disputa.
A concorrência estava marcada para ocorrer no próximo dia 10 de junho, na B3, em São Paulo, e previa a concessão de 409 quilômetros de rodovias estaduais localizadas nas regiões do Vale do Taquari e Norte do Estado. Com a ausência de interessados, o governo gaúcho informou que deverá reavaliar a modelagem do projeto antes de definir uma nova data para o certame.
O projeto previa cerca de R$ 6 bilhões em investimentos ao longo dos 30 anos de concessão, incluindo um aporte público de R$ 1,5 bilhão por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). A proposta contemplava obras de duplicação em 182 quilômetros de rodovias, implantação de 71,5 quilômetros de terceiras faixas e adoção do sistema de pedágio eletrônico free flow.
O Bloco 2 reúne trechos das rodovias ERS-128, ERS-129, ERS-130, ERS-135, ERS-324 e RSC-453, consideradas estratégicas para a logística e o desenvolvimento econômico das regiões atendidas.
Este é o segundo adiamento enfrentado pelo projeto. Inicialmente, o leilão estava previsto para março deste ano, mas foi suspenso após uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul apontar a necessidade de ajustes técnicos na modelagem da concessão.
Após as adequações solicitadas, o governo reduziu a tarifa-teto por quilômetro de R$ 0,19 para R$ 0,18 e manteve o aporte público de R$ 1,5 bilhão para aumentar a atratividade do projeto. Mesmo assim, nenhuma empresa apresentou proposta.
Além das questões técnicas, o projeto também enfrentou forte resistência política e de entidades regionais. Deputados estaduais e lideranças locais criticaram principalmente a implantação do sistema de pedágio eletrônico free flow, defendendo a suspensão da licitação e a revisão das condições previstas no contrato.
Com o fracasso da tentativa de concessão, o governo estadual terá de reavaliar o modelo para tentar atrair investidores e viabilizar os investimentos previstos para a modernização da malha rodoviária contemplada pelo Bloco 2.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
