A comunidade de Flores da Cunha amanheceu abalada nesta terça-feira (26) após o incêndio que destruiu grande parte da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, um dos principais símbolos religiosos e históricos do município. O entorno da igreja permanece interditado devido ao risco de colapso estrutural, enquanto equipes trabalham na apuração das causas do incêndio ocorrido na tarde de segunda-feira (25).
Na manhã desta terça, o cenário era de silêncio, fumaça e destruição nas proximidades da Praça da Bandeira. Faixas de isolamento impedem a aproximação de moradores e curiosos, enquanto agentes da Guarda Civil Municipal de Flores da Cunha monitoram a área.
Uma equipe de três peritos do Instituto-Geral de Perícias deve iniciar nesta terça-feira os trabalhos para identificar a dinâmica do incêndio, o ponto de origem das chamas e a causa do sinistro. A suspeita inicial é de que o fogo tenha relação com as obras de reforma realizadas no telhado da igreja nas últimas duas semanas. Segundo o pároco frei Jadir Segalla, os trabalhos seriam concluídos justamente na segunda-feira.
O incêndio começou pouco depois do meio-dia, quando não havia pessoas no interior do templo. As chamas rapidamente tomaram o telhado e uma intensa fumaça escura pôde ser vista de vários pontos da cidade. O combate mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul por mais de duas horas, enquanto o trabalho de rescaldo se estendeu até a noite.
Segundo o capitão Pedro Henrique Sanhudo, poucas estruturas e objetos conseguiram ser preservados.
“Grande parte da igreja foi prejudicada em virtude das chamas e também pelo teto de zinco, que acabou cedendo. Poucos objetos conseguiram ser salvaguardados, mas houve sim uma preservação parcial, graças ao combate mais avançado às chamas”, afirmou.
Mesmo em meio à destruição, duas imagens religiosas chamaram a atenção dos fiéis: a estátua do Cristo Morto, localizada no saguão de entrada, e a imagem de Nossa Senhora de Lourdes no topo da igreja aparentaram resistir sem grandes danos.
A forte fumaça provocada pelo incêndio também exigiu o isolamento da área por questões de segurança e saúde pública.
“O evento gerou uma grande comoção e, consequentemente, uma aglomeração de pessoas. A atmosfera, em virtude da fumaça e dos gases contaminantes, acabava se tornando prejudicial para a saúde humana”, explicou o capitão Sanhudo.
Durante toda a segunda-feira, centenas de moradores acompanharam emocionados o incêndio. A aposentada Glória Galiotto, de 74 anos, frequentadora da paróquia há décadas, relatou o impacto da cena.
“No primeiro momento eu não queria nem acreditar que fosse verdade. Era impossível crer numa coisa assim. Mas depois começaram a aparecer mais chamas, mais chamas, e aí não teve mais como duvidar”, contou.
Ela também afirmou ter se emocionado ao perceber que a imagem de Nossa Senhora de Lourdes permaneceu intacta no topo da igreja.
“Aquilo ali foi um milagre. Ver toda aquela destruição e a imagem dela continuar lá em cima mexe muito com a fé da gente”, disse.
Integrantes da paróquia informaram que poucas partes da estrutura conseguiram ser preservadas, entre elas duas sacristias.
A destruição da igreja ocorre poucos dias antes das celebrações de Corpus Christi, uma das principais tradições religiosas do município, que reúne milhares de visitantes para a confecção dos tapetes coloridos nas ruas centrais da cidade. Em nota, a Prefeitura de Flores da Cunha informou que a programação será reavaliada em conjunto com a paróquia e que novas definições serão divulgadas nos próximos dias.
Mesmo abalado, frei Jadir Segalla declarou intenção de manter a celebração de Corpus Christi e os tradicionais tapetes, embora reconheça que será necessário reorganizar toda a programação após a perda da igreja matriz.
Construída entre 1904 e 1914, a Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes é considerada uma das mais antigas igrejas em estilo gótico do Rio Grande do Sul. O altar principal veio da Itália e o templo abriga imagens históricas de São Pedro, São José e Nossa Senhora de Lourdes. Na nave lateral esquerda também repousam os restos mortais de Frei Salvador Pinzetta.
O prefeito em exercício, Marcio Rech, acompanhou a ocorrência e destacou o impacto da tragédia para a cidade.
“É um momento muito triste. A tristeza assola toda a nossa comunidade. É um símbolo da religiosidade, da força e da fé do nosso povo”, declarou.
A quadra da igreja segue bloqueada sem previsão de liberação enquanto bombeiros, peritos e forças de segurança avaliam as condições da estrutura e dão sequência às investigações.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Jornal O Florense
Fotos: Leonardo Lopes/Agnaldo Borges/Gustavo De Bastiani
