O Rio Grande do Sul deverá registrar uma expansão de 52% na área cultivada com canola na safra 2026/2027, conforme o nono levantamento divulgado nesta quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa aponta crescimento de 209,9 mil hectares na safra anterior para 320,1 mil hectares neste ano, superando inclusive a projeção divulgada em maio, que previa uma expansão de 30%, totalizando 273 mil hectares.
Segundo a Conab, a semeadura da cultura já alcança 82% da área projetada, com os produtores aproveitando a janela preferencial recomendada para o plantio. Atualmente, cerca de 67% das lavouras encontram-se na fase de emergência e 33% em desenvolvimento vegetativo.
De acordo com a companhia, a expansão da canola é impulsionada pelos contratos de compra garantida firmados com a indústria e pelas incertezas climáticas relacionadas à previsão do fenômeno El Niño. Diante desse cenário, muitos produtores optaram por substituir parte das áreas tradicionalmente destinadas ao trigo pelo cultivo da brassica durante a temporada de inverno.
A Conab informa que, de maneira geral, a germinação e o desenvolvimento inicial das lavouras são considerados satisfatórios. Entretanto, os elevados volumes de chuva registrados no início de maio provocaram o selamento superficial do solo e a formação de crostas compactas, dificultando a emergência das plântulas e resultando em estandes desuniformes em algumas propriedades, exigindo replantio pontual.
Como estratégia para reduzir riscos, os agricultores têm priorizado áreas com relevo ondulado e boa drenagem natural, buscando minimizar problemas decorrentes do excesso de umidade, como doenças radiculares e foliares associadas ao encharcamento do solo.
Mesmo com esses desafios, a Conab considera o cenário técnico promissor para a cultura e estima produtividade média de 1.619 quilos por hectare.
Trigo perde espaço no Estado
Em sentido contrário, a perspectiva para o trigo é de redução significativa da área cultivada no Rio Grande do Sul. A Conab projeta retração de 20%, passando de 1,156 milhão de hectares para aproximadamente 925 mil hectares.
Segundo o levantamento, o menor interesse dos produtores está relacionado à conjuntura econômica menos favorável para a cultura, além das sucessivas frustrações de safra registradas nos últimos anos.
Os trabalhos de campo ainda estão em fase inicial, com as primeiras lavouras em germinação e emergência. A estatal observa uma postura mais conservadora por parte dos produtores, refletida na redução dos investimentos em tecnologia e insumos.
Também foi identificado um aumento no uso de sementes salvas e uma diminuição da utilização de sementes certificadas, fatores que demonstram maior cautela diante das incertezas econômicas e climáticas.
A Conab destaca ainda que a preocupação com os possíveis impactos do fenômeno El Niño, especialmente o risco de chuvas excessivas durante fases importantes do desenvolvimento da cultura, contribui para a redução da área destinada ao trigo no Estado.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Conab
