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    Início » Reconstrução viária no RS exigirá R$ 10,4 bilhões e deve se estender até 2026, aponta governo
    Estado

    Reconstrução viária no RS exigirá R$ 10,4 bilhões e deve se estender até 2026, aponta governo

    Fernando KopperFernando Kopper24 de abril de 202503 Mins Read11
    O esforço para reconstruir e tornar mais resiliente a malha rodoviária do Rio Grande do Sul após a enchente histórica de maio de 2024 demandará investimentos bilionários e anos de trabalho, segundo projeções do governo estadual e federal. Estimativas do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) apontam que ao menos R$ 10,4 bilhões serão necessários para erguer uma infraestrutura capaz de resistir a eventos climáticos extremos.
    Desse total, R$ 9,9 bilhões se referem a obras em rodovias sob responsabilidade do Estado, enquanto outros R$ 500 milhões estão vinculados a projetos de “adequação de cheias” em fase de elaboração pela União. A reconstrução da malha viária atingida contempla mais de 13,7 mil quilômetros impactados — sendo 60% sob gestão estadual e o restante da União.
    Somente nas regiões da Serra, dos Vales e Central, mais afetadas pelas enchentes, o Daer estima investimentos de R$ 3 bilhões. O governo estadual já contratou R$ 1,7 bilhão em obras por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), além de R$ 400 milhões aplicados emergencialmente. O governo federal, por sua vez, contratou outros R$ 1,2 bilhão para ações de recuperação. Juntos, os valores chegam a R$ 2,9 bilhões — apenas 28% do montante necessário para garantir resiliência estrutural.
    Segundo o secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, os contratos firmados com empreiteiras incluem exigências técnicas mais rigorosas. Novas pontes, por exemplo, devem ser construídas ao menos 1,5 metro acima do nível máximo da cheia de 2024. Um dos exemplos é a ponte entre Arroio do Meio e Lajeado, que passou de 80 para 172 metros de extensão e foi elevada em cinco metros.
    Além disso, os projetos em andamento contemplam a contenção de encostas e a construção de viadutos de várzea para permitir o escoamento de água em locais onde a rodovia foi cortada pela enxurrada, como na RS-348, entre Agudo e Dona Francisca. Um dos viadutos previstos deverá ter cerca de 500 metros.
    Os prazos de conclusão variam conforme o tamanho das obras, mas a expectativa do governo é concluir a reconstrução da malha até o fim de 2026. “Em abril do ano passado, se dizia que levaria de quatro a cinco anos, talvez até uma década, para o Estado se recompor”, lembra Costella.
    Atualmente, sete bloqueios totais e seis parciais ainda persistem em estradas estaduais. Já os trechos federais estão liberados, com quatro restrições parciais ao tráfego. O Dnit informou que os serviços seguem com recursos já garantidos, e os projetos estruturantes para prevenir novas enchentes ainda estão em fase de estudos.
    A infraestrutura afetada também impactou a logística da produção. Segundo Fábio Avancini Rodrigues, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), ainda há reflexos logísticos da tragédia, e a lentidão nas obras compromete a competitividade do setor. Para ele, apesar da complexidade, “poderíamos ser mais ágeis”.
    Na indústria, os prejuízos chegaram a R$ 14 bilhões, segundo levantamento do Banco Mundial com dados da Fiergs. Só na logística, os danos foram de R$ 4,1 bilhões. O presidente da entidade, Claudio Bier, destaca que 10 novas pontes foram entregues com apoio da iniciativa privada, mas ainda há gargalos — como na RS-287, entre Santa Maria e a Região Metropolitana, onde uma ponte definitiva aguarda instalação.
    Mesmo diante dos desafios, Bier aposta na recuperação: “Com os recursos que estão entrando, bem aplicados no setor de logística, mais a ajuda da iniciativa privada, vamos nos recuperar. Temos de pensar de forma positiva”.
    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fernando Kopper

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