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    Início » Quase metade dos brasileiros adultos está inadimplente, e valor médio da dívida supera R$ 1,5 mil
    Economia

    Quase metade dos brasileiros adultos está inadimplente, e valor médio da dívida supera R$ 1,5 mil

    Fernando KopperFernando Kopper20 de maio de 202502 Mins Read10
    Um levantamento da Pagou Fácil, plataforma da financeira Paschoalotto, mostra que 46,6% da população adulta brasileira estava inadimplente em março deste ano — o equivalente a 75,7 milhões de pessoas. O valor médio das dívidas supera R$ 1,5 mil, chegando a R$ 1.588, com um total estimado em R$ 438 bilhões, um crescimento de 13% em relação a março de 2024.
    Os dados foram coletados a partir de bases próprias e de outras fontes, como Serasa, e revelam que o Amapá lidera o ranking nacional, com 61,8% da população adulta inadimplente, seguido pelo Distrito Federal (60,1%) e Rio de Janeiro (55,6%). Na outra ponta, os menores índices de endividamento foram registrados em Santa Catarina (36,5%), Piauí (37%), Espírito Santo (41,5%) e Rio Grande do Sul (41,6%).
    Segundo Rafael Saab, economista da Paschoalotto, inadimplentes são pessoas com dívidas abertas, mas que nem sempre estão com o nome negativado em serviços como Serasa ou SPC. Ele afirma que a inadimplência deve seguir em patamar elevado nos próximos anos.
    Para Flávio Ataliba Barreto, coordenador do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste do FGV Ibre, a pandemia impulsionou o crescimento do endividamento e, embora o ritmo de aumento possa desacelerar, o nível segue alto. “O comprometimento com dívidas já é bastante elevado”, diz.
    Fatores como inflação acumulada de 5,53% em 12 meses, juros básicos a 14,75% e sinais de desaceleração econômica contribuem para pressionar o orçamento das famílias, ampliar a inadimplência e dificultar a quitação das dívidas.
    O estudo aponta ainda que a maior parte das dívidas (28,5%) está ligada a bancos e cartões de crédito, seguidas por contas básicas (20,6%), serviços diversos (19,1%) e financeiras (11,2%). Para Barreto, o uso do cartão como complemento de renda se tornou prática comum entre os brasileiros.
    Outro fator de preocupação, segundo Diego Martins Mosquim, diretor de planejamento da Paschoalotto, é o desinteresse por investimentos convencionais e o crescimento das apostas esportivas online. Dados da Anbima com o Datafolha indicam que 23 milhões de brasileiros apostam em “bets”, enquanto 10 milhões investem em CDBs e 9 milhões em fundos de investimento.
    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fernando Kopper

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