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    Início » Poupança acumula rombo de R$ 49,6 bilhões no 1º semestre e acende alerta sobre saúde financeira dos brasileiros
    Economia

    Poupança acumula rombo de R$ 49,6 bilhões no 1º semestre e acende alerta sobre saúde financeira dos brasileiros

    Fernando KopperFernando Kopper9 de julho de 202502 Mins Read15
    A caderneta de poupança registrou um saldo negativo de R$ 49,64 bilhões no primeiro semestre de 2025, o segundo pior resultado em 30 anos, conforme dados divulgados pelo Banco Central. A cifra revela um movimento contínuo de retirada de recursos pelos brasileiros, que, segundo o economista Pedro de Cesaro, do BTG Pactual, estão recorrendo às economias para pagar contas e não mais para investir.
    Apenas em junho, houve leve alívio com um saldo positivo de R$ 2,1 bilhões — o único mês do ano com mais depósitos do que saques. No entanto, o semestre foi marcado por um desequilíbrio expressivo: R$ 2,07 trilhões depositados contra R$ 2,12 trilhões retirados.
    “É o nono semestre seguido de saldo negativo. Isso não acontecia desde 2020. O dado é gravíssimo. Mostra que a população está sacando o que tem na poupança para arcar com despesas básicas. Não é decisão financeira, é sobrevivência”, alerta Cesaro.
    A perda de atratividade da caderneta também contribui para a debandada. Com rendimento mensal de cerca de 0,67% — somando a taxa fixa de 0,5% e a TR —, a poupança acumula em torno de 8% ao ano. Enquanto isso, investimentos como CDBs e Tesouro Direto chegam a pagar até 15% anuais. “A poupança parou no tempo. E a população tem hoje acesso a opções muito melhores, com a ajuda de plataformas digitais e inteligência artificial”, completa o economista.
    Outro fator que pressiona o saldo da poupança é o crescimento do endividamento das famílias. A inadimplência entre pessoas físicas saltou de 5,3% em dezembro para 6,1% em maio deste ano. “Juros altos, crédito caro e orçamento apertado. A poupança virou última alternativa para quitar dívidas ou simplesmente fechar o mês”, resume Cesaro.
    Para ele, o rombo no principal produto financeiro popular do país não representa apenas uma mudança no comportamento do investidor, mas um retrato da crise silenciosa que atinge milhões de lares. “Esse dado mostra que algo está errado na base. Não se trata só de migrar para investimentos mais rentáveis, mas de famílias que já não conseguem guardar nada.”
    Apesar do pequeno respiro em junho, o cenário preocupa. “Se não houver mudança estrutural no poder de compra das famílias, esse quadro tende a piorar. E o alerta final é claro: precisamos de mais educação financeira, mais planejamento e mais apoio para que o brasileiro possa voltar a investir, e não apenas sobreviver.”
    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fernando Kopper

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