A menor disponibilidade de arroz em casca no Rio Grande do Sul continua sustentando os preços do cereal, conforme levantamento divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A restrição na oferta, aliada à demanda das indústrias e ao maior interesse do mercado externo, tem mantido as cotações em patamares mais firmes, embora ainda insuficientes para recuperar a rentabilidade dos produtores.
O Rio Grande do Sul, principal estado produtor de arroz do país, segue com oferta limitada do grão, cenário que contribui para a valorização do produto no mercado. Segundo o Cepea, a necessidade de compra por parte das indústrias mantém a demanda aquecida, reforçando a sustentação dos preços.
Além do mercado interno, o aumento do interesse de compradores internacionais também tem favorecido as cotações. No entanto, os pesquisadores destacam que a recuperação dos preços ainda está distante do necessário para compensar os custos de produção e restabelecer a margem de lucro dos orizicultores.
A preocupação com a situação financeira dos produtores permanece elevada. De acordo com o Cepea, o atual cenário não é suficiente para reduzir o endividamento acumulado pelo setor, que enfrenta dificuldades para equilibrar as contas mesmo diante da melhora nos preços.
Na última semana, representantes da cadeia produtiva defenderam que o novo Plano Safra inclua medidas de renegociação de dívidas para os produtores de arroz. A avaliação do setor é de que apenas ampliar a oferta de crédito não resolverá os problemas financeiros enfrentados pelos orizicultores, sendo necessária a adoção de mecanismos que permitam a reestruturação das dívidas e a recuperação da capacidade de investimento nas propriedades rurais.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
