Produtores de milho devem aproveitar os repiques técnicos do mercado para avançar em vendas parciais da produção, evitando concentrar negociações no pico da colheita da Safrinha. A avaliação consta em análise semanal divulgada pela TF Agroeconômica, que aponta cenário de maior cautela diante da volatilidade climática internacional e do avanço da oferta brasileira.
Segundo a consultoria, consumidores e indústrias tendem a manter compras escalonadas nas próximas semanas, acompanhando as oscilações do mercado e os desdobramentos do clima nos Estados Unidos, atualmente um dos principais fatores de sustentação dos preços internacionais.
No cenário externo, o milho segue apoiado principalmente pela forte demanda pelo produto norte-americano. Mesmo com redução nas vendas semanais, os números acumulados de exportação dos Estados Unidos permanecem elevados. Conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o país já comercializou 77,06 milhões de toneladas, volume 27,56% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Esse desempenho reforça a percepção de estoques mais ajustados no mercado internacional, reduzindo o espaço para quedas mais intensas nas cotações negociadas em Chicago.
Outro fator acompanhado de perto pelo mercado é o clima nas regiões produtoras norte-americanas. No estado de Nebraska, uma das principais áreas produtoras dos Estados Unidos, cerca de 88% das áreas enfrentam seca moderada, enquanto quase 79% apresentam seca severa e aproximadamente 60% já estão em condição de seca extrema.
A baixa previsão de chuvas mantém elevado o risco climático nas Grandes Planícies americanas, especialmente neste início da safra 2026/27. Caso a estiagem persista ou se agrave entre maio e junho, o mercado internacional poderá voltar a registrar movimentos de alta nas cotações do cereal.
Por outro lado, alguns fatores seguem limitando avanços mais fortes nos preços. Entre eles, estão as incertezas relacionadas à aprovação definitiva da comercialização do combustível E-15 durante todo o ano nos Estados Unidos, além da realização de lucros por fundos investidores após semanas consecutivas de valorização do milho.
No Brasil, o mercado voltou a sentir pressão sazonal com a expectativa de aumento da oferta nas próximas semanas. A colheita da Safrinha continua sendo o principal fator de influência sobre os preços internos.
Apesar de problemas climáticos localizados em algumas regiões produtoras, o mercado ainda trabalha com perspectiva de grande produção nacional. Com a necessidade de liberar espaço nos armazéns, produtores intensificaram as vendas diretas, aumentando a pressão sobre as cotações. Bases e prêmios também seguem enfraquecidos em diversas praças do país.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Agrilink
