A assinatura oficial do memorando de entendimento de 14 pontos entre os Estados Unidos e o Irã repercutiu internacionalmente nesta quinta-feira (18). Enquanto líderes mundiais elogiaram o avanço diplomático e classificaram o acordo como um passo importante para a estabilidade no Oriente Médio, parlamentares da oposição democrata nos Estados Unidos criticaram duramente os termos do documento.
O memorando foi assinado na quarta-feira (17) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo presidente do Irã, Masoud Pezeshkian. Segundo autoridades iranianas e paquistanesas, o acordo entrou em vigor imediatamente após a assinatura e estabelece um período de negociações de 60 dias para um acordo definitivo, além de prever a redução das hostilidades e medidas relacionadas ao Estreito de Ormuz e ao programa nuclear iraniano.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que o chamado “Memorando de Entendimento de Islamabad” prevê, entre as primeiras medidas, a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e o início da retirada do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos. O Paquistão atuou como um dos principais mediadores das negociações entre Washington e Teerã.
Durante a Cúpula do G7, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o entendimento “abre caminho para uma paz duradoura” e poderá contribuir para a redução dos preços da energia em nível global.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, também manifestou apoio ao acordo. Em conversa telefônica com seu homólogo iraniano, declarou que “chegou o alvorecer da paz”, conforme divulgado pela imprensa estatal chinesa.
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, afirmou receber o memorando “com satisfação”. Segundo ele, o acordo representa um avanço ao reduzir os riscos relacionados ao programa nuclear iraniano e restabelecer a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
Nos Estados Unidos, entretanto, o acordo enfrentou críticas de integrantes do Partido Democrata. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, afirmou que o memorando poderá ser lembrado como “um dos maiores desastres americanos”, alegando que o documento favorece o Irã.
A senadora Elizabeth Warren declarou que não enxerga benefícios concretos para as famílias americanas, enquanto o senador Adam Schiff classificou o memorando como “um ótimo acordo para o Irã e um péssimo acordo” para os Estados Unidos, argumentando que o texto estabelece futuras negociações, mas oferece poucos incentivos para que Teerã cumpra integralmente os compromissos previstos.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
