O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite de sexta-feira (13) que as Forças Armadas norte-americanas mataram Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, apontado como o principal líder da organização criminosa venezuelana Tren de Aragua, considerada pelos Estados Unidos uma organização terrorista.
Em publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou que o Comando Sul dos Estados Unidos realizou um ataque “rápido e letal” que resultou na morte de Guerrero. Segundo o presidente, a operação foi conduzida em estreita coordenação com o governo da Venezuela, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre o local ou o horário da ação. Na mesma publicação, Trump compartilhou um vídeo que mostra um projétil atingindo um prédio, seguido por uma grande explosão.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, informou em publicação na rede X que a captura ocorreu no início da semana, sem apresentar informações adicionais. Até o momento, a Casa Branca, o Pentágono e o Comando Sul não divulgaram detalhes oficiais sobre a operação.
O Departamento de Estado dos EUA oferecia uma recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à captura de Niño Guerrero. Em dezembro do ano passado, ele foi indiciado por um tribunal federal de Nova York por conspiração para extorsão e outros crimes, incluindo apoio a atividades classificadas pelas autoridades americanas como terroristas.
Segundo investigadores dos Estados Unidos, Guerrero liderou por mais de uma década a expansão do Tren de Aragua, transformando uma gangue originada dentro de uma prisão venezuelana em uma organização criminosa transnacional com atuação em diversos países das Américas e também na Europa. As autoridades atribuem ao grupo crimes como tráfico de drogas, extorsão, sequestro, tráfico de pessoas, contrabando de migrantes, mineração ilegal e lavagem de dinheiro.
Natural do estado venezuelano de Aragua, Niño Guerrero começou a aparecer nos registros policiais no início dos anos 2000. Preso em 2010 por crimes relacionados a homicídio, tráfico de drogas e roubo, ele fugiu da prisão em 2012, foi recapturado no ano seguinte e voltou ao presídio de Tocorón. Mesmo encarcerado, consolidou seu poder e passou a comandar a organização de dentro da unidade prisional, onde, segundo investigações, desfrutava de uma estrutura privilegiada, incluindo residência própria, piscina, restaurantes, discoteca e até um zoológico.
Em setembro de 2023, as autoridades venezuelanas retomaram o controle da prisão de Tocorón durante uma grande operação de segurança. No entanto, Guerrero e outras lideranças da organização não foram localizados na ocasião, após supostamente deixarem o local antes da intervenção.
Especialistas apontam que a expansão internacional do Tren de Aragua acompanhou o fluxo migratório venezuelano iniciado durante a crise econômica e humanitária no país. No Brasil, há registros da presença da organização em pelo menos seis estados, com maior concentração na região Norte, especialmente em Roraima, onde teria estabelecido relações com facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
As autoridades americanas afirmam que continuam atuando para desarticular a organização criminosa e identificar seus integrantes e aliados em diversos países. Entretanto, operações militares recentes dos Estados Unidos contra embarcações supostamente ligadas ao tráfico de drogas também têm sido alvo de questionamentos de especialistas em direito internacional, que discutem a legalidade dessas ações e a ausência de provas públicas sobre o envolvimento das embarcações atacadas com atividades criminosas.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
