Os Estados Unidos e o Irã anunciaram nesta segunda-feira (1º) uma nova série de ataques recíprocos, ampliando as tensões no Oriente Médio e colocando em risco as tentativas diplomáticas de consolidar um cessar-fogo e avançar nas negociações para o encerramento do conflito.
A escalada ocorre em um momento de impasse nas conversas entre Washington e Teerã. Nos últimos dias, a expectativa de um acordo havia crescido após declarações do presidente americano Donald Trump, mas novas exigências apresentadas pelos Estados Unidos esfriaram as perspectivas de um entendimento imediato.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que realizou, entre sábado e domingo, uma nova onda de ataques considerados defensivos no sul do Irã. Segundo os militares americanos, os bombardeios atingiram sistemas de radar e estruturas de controle de drones na cidade de Goruk e na ilha de Qeshm, localizada no estratégico Estreito de Ormuz.
De acordo com os Estados Unidos, as operações foram uma resposta à destruição de um drone americano MQ-1 que, segundo Washington, operava em águas internacionais. O governo iraniano, por sua vez, acusou os americanos de violarem o cessar-fogo em vigor.
Em reação, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou ter atacado uma base utilizada pelas forças americanas para operações contra o território iraniano. Embora a localização da instalação não tenha sido divulgada, o Exército do Kuwait informou ter interceptado mísseis e drones considerados hostis e atribuiu a ofensiva ao Irã. O Ministério das Relações Exteriores kuwaitiano responsabilizou Teerã pelos ataques.
A guerra teve início em 28 de fevereiro, após uma ofensiva conjunta israelense-americana. Desde então, o conflito provocou milhares de mortes e gerou impactos significativos na economia global, especialmente com a elevação dos preços do petróleo.
As negociações entre os dois países enfrentam novos obstáculos após informações divulgadas pela imprensa americana apontarem um endurecimento da posição dos Estados Unidos. Segundo veículos de comunicação do país, a nova proposta americana prevê uma extensão de 60 dias do cessar-fogo, além de medidas relacionadas à reabertura do Estreito de Ormuz e à retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano.
O governo iraniano, entretanto, afirma que sua prioridade atual é encerrar o conflito. Teerã sustenta que seu programa nuclear possui fins exclusivamente civis e nega buscar o desenvolvimento de armas atômicas. Além disso, exige o fim das sanções econômicas impostas ao país.
Outro ponto de divergência envolve o conflito no Líbano. O Irã defende que qualquer acordo com Washington deve incluir o fim das operações militares israelenses no território libanês. Enquanto isso, Israel mantém ofensivas no sul do Líbano e o Hezbollah continua realizando ataques contra o norte israelense, apesar da trégua anunciada em abril.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, classificou os ataques israelenses como uma “agressão feroz e condenável”, reforçando a preocupação internacional com a ampliação do conflito e as dificuldades para alcançar uma solução diplomática na região.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
